- Autor
- Carlos Inácio Coelho Neto
- Orientador(a)
- João Carlos Salles Pires da Silva
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA — UFBA
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2008
Esta dissertação tem por objetivo analisar a noção de crença sob o ponto de vista da epistemologia contida nas obras: Tratado da Natureza Humana e Investigações Sobre o Entendimento Humano. Visamos particularmente a ressaltar a questão da constituição da crença enquanto condição para que haja alguma “evidência” na esfera dos fatos. Tendo em vista a ruptura entre necessidade e contingência por sua crítica à noção de causalidade, seria preciso mais que os fundamentos consolidados pela razão para garantir alguma evidência acerca do mundo. A razão consegue conceber claramente o fato contrário àquele revelado constantemente pela experiência, não havendo contradição na esfera da experiência. Dessa forma, é preciso procurar outros caminhos que possam explicar o fato de ainda termos alguma convicção a respeito dos fatos, apesar de não podermos mais contar com bases semelhantes às oferecidas pelas ciências matemáticas. Desse modo, procuramos nesta Dissertação reconstruir a trilha teórica que permitiu a Hume estabelecer uma epistemologia pautada numa particular constituição da experiência, na qual a necessidade não tem lugar e a garantia de certeza e conhecimento se sustenta em princípios gerais (princípios associativos) próprios da natureza humana e em uma faculdade (o hábito), capaz de levar a mente de um estado imediato, vinculado aos dados do sentido e da memória, a projeções futuras. Vem aí a capacidade da mente de esperar que os acontecimentos se dêem de uma maneira; tal expectativa é o que Hume denominou crença.
