A noção de intencionalidade nas investigações fenomenológicas de Husserl
André Vinicius Dias Senra
- Autor
- André Vinicius Dias Senra
- Orientador(a)
- Paulo Cesar Duque Estrada
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO — PUC-RIO
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2006
A fenomenologia husserliana encontra-se organizada em torno da noção de intencionalidade. A intencionalidade refere-se à explicitação do modo como ocorre a relação entre conhecimento, objeto do conhecimento e significação. Para tanto, esta noção é apresentada como um a priori formal da relação cognoscitiva, e que permite a apreensão de sentido na vivência intencional da consciência. Se a correlação cognoscitiva pertence à esfera a priori, a fundamentação só pode ocorrer no âmbito das idealidades. Portanto, elucidar a experiência cognoscitiva da consciência intencional é uma questão lógica. A contribuição de Husserl, em relação ao tema da consciência, é saber como é possível fundar o conhecimento a partir da experiência intuitiva de um sujeito, de modo que o acesso à objetividade não venha reduzi-la a um processo psicológico de abstração do ente real. Husserl percebe que a noção de intencionalidade, prescinde da divisão entre ‘externo’ e ‘interno’ que, por sua vez, marcou tradicionalmente a discussão na teoria do conhecimento. Para tanto, Husserl trata a consciência intencional como possibilidade de fundação do conhecimento porque esta noção atua sobre as objetualidades lógicas, mas é também inerente aos entes reais. Se a relação do conhecimento não pode prescindir de uma justificativa racional, e esta não pode ser obtida no dado da experiência sensível, logo, trata-se de saber que a intencionalidade oferece condições para pensar uma teoria subjetiva coerente com o acesso às idealidades.
