- Autor
- FELIPE GONCALVES PINTO
- Orientador(a)
- FERNANDO JOSE DE SANTORO MOREIRA
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO — UFRJ
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2009
Nos capítulos 10-14 do livro IV de sua Física, Aristóteles trata do conceito de tempo (khrónos), definindo-o como """"número do movimento segundo o anterior e posterior"""". A investigação, conhecida como Tratado do Tempo, parte, por um lado, dos problemas concernentes à aceitação da existência do tempo como algo cujas partes - passado e futuro - não são e, por outro, do conceito de agora (nûn) enquanto único elemento do tempo que efetivamente é, mas que não consiste numa parte do tempo pelo fato de o tempo não ser divisível em agoras. Após avaliar e rejeitar algumas teses do que seja o tempo, Aristóteles recorre à copertinência entre a percepção (aísthesis) do tempo e a do movimento para encetar sua definição. Portanto, a solução aristotélica para o problema do tempo enraíza-se na relação estética cujos termos fundamentais são a mobilidade dos entes móveis e a alma capaz de perceber o tempo e o movimento. Essa raiz será problematizada, ao final do Tratado do Tempo, através da pergunta sobre se pode haver tempo sem que haja alma capaz de numerar. O tratado aristotélico aponta, com isso, o fundo sobre o qual o tempo não cessará, até nossos dias, de apresentar-se como questão ao pensamento ocidental.
