- Autor
- Antônio Luís Cardoso de Figueiredo
- Orientador(a)
- Francisco Manfredo Tomás Ramos
- Universidade
- UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ — UECE
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2004
Resumo.....Durante o século IV a.C. o regime ateniense exerceu o poder envolto em iniquidades. A ascensão da democracia não corrigira a estrutura de privilégios fixada pela oligarquia. À sofística, expressão do mundo democrático deve-se o agravamento da deterioração do mundo ético-político ateniense. Com efeito, os princípios de coesão que animam, respectivamente, um relativismo epistemológico, um biologismo antropológico, uma política demagógica e uma ética individualista, contribuem para o solapamento das estruturas arcaicas que garantiam a coesão sócio-política e as tradicionais formas de solidariedades..Entretanto, inicia-se com Sócrates um esforço reativo de contenção do furor iconoclasta sofístico. Valendo-se de um método inédito apoiado em uma psicagogia cartática se descortinará virtualmente, sob o impulso socrático, uma nova e surpreendente fonte de intelecção da realidade. Esta atuante e desconcertante filosofia socrática oferecerá a Platão, inequivocamente, os pressupostos estruturais sobre os quais será erigida uma audaz e complexa teoria onto-política, cujas intenções fundamentais orientam-na para neutralização do conteúdo programático do conteúdo sofístico..Platão, investido de uma notável intrepidez especulativa, irá aprofundar a herança socrática reservando ao logos epistêmico a tarefa de desocultar no rela a presença de uma matriz ontológica situada para além dos limites do visível. Neste esforço de apreensão sinótica do múltiplo conceberá Platão solenes fundamentos metafísicos pelos quias a política ostentará um significado distinto daquele pretendido pela sofística. Ou seja, ao relativismo epistemológico contraporá Platão o inteligível como critério intelectivo absoluto. Ao biologismo antropológico sofístico contraporá Platão à alma entendida como essência do homem. A política demagógica sofística contraporá Platão à ciência do bem como posse imprescindível à deliberação política. Finalmente, a ética individualista sofísitca contraporá Platão a ética da Justiça. Estes são, pois, os fundamentos metafísicos platônicos que constituem o arsenal teórico manuseado habilmente em seu embate com outras orientações do pensamento do mundo grego do IV século.
