- Autor
- Tiago Penna
- Orientador(a)
- Paulo Tarso Cabral Medeiros
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA ( JOÃO PESSOA ) — UFPB-JP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2007
Benjamin delineia o contexto no qual o quadro de barbárie começara a imperar, quando os combatentes voltaram mudos da I Guerra Mundial – mais pobres de experiências comunicáveis. No entanto, Benjamin considera o conceito positivo de barbárie, como aquela situação em que os artistas e pensadores poderiam criar a partir de uma tábula rasa. Para Benjamin, a estética se relaciona com a política, pois não haveria nenhuma obra de arte política ou ideologicamente neutra, de sorte que o filósofo conclama os artistas a se engajarem politicamente, interferindo na formação de valores, costumes e modos de vivência – de modo a confrontar a dominação imposta pelo capitalismo avançado. Para tal, Benjamin analisa a relação entre o produtor artístico e os meios de produção, propondo uma refuncionalização social das obras literárias, ao prover os artistas de autonomia, alcançada através da relação entre a técnica e os meios de produção artísticos. Benjamin ressalta também que a história fora sempre contada sob a perspectiva dos vencedores e subseqüentemente dominadores, de sorte que, para se alcançar o viés revolucionário, se faz necessário contar a história a contra-pêlo, resgatando os sonhos e desejos dos povos oprimidos e subjugados, como uma maneira de redimir o passado e construir um futuro revolucionário. Para tal, a análise da estetização da política, tal qual praticada pelo fascismo, se faz necessária; e Benjamin propõe sua inversão – a politização da arte – como resposta do comunismo ao fascismo. Assim, a revolução social poderia ter como ferramenta a manifestação artística, que contribuiria – através da superação da técnica – para uma politização (ou conscientização) do proletariado e do público espectador. O cinema, por sua própria natureza, já contém em si aspectos revolucionários que poderiam contribuir fortemente para a politização da arte. O primeiro aspecto revolucionário acarretado pelo cinema é mesmo o da dissolução da “aura” das obras de arte tradicionais – esta relacionada à unicidade e autenticidade das obras, e definida como “aparição única de uma realidade longínqua, por mais próxima que ela esteja”. Tal dissolução leva a uma crítica das formas de arte tradicionais e de sua inclusão na tradição. No entanto, as conseqüências políticas do cinema sempre estarão aliadas às necessidades teológicas de redenção do passado oprimido, e da abertura da janela na qual o messias poderia entrar. Outra conseqüência do cinema em relação às obras de arte passa a ser a preponderância do valor de exposição sobre o valor de culto (este até então tão associado às formas de arte tradicionais), conferindo uma nova função social para a obra de arte enquanto tal. Apesar de afirmar que tudo o que se pode esperar do cinema é uma crítica das concepções antigas de arte, Benjamin confere ao cinema aspectos revolucionários em sua refuncionalização social e na sua ampliação da percepção sensível. A partir de técnicas inéditas até então – tais quais a câmera lenta e a ampliação da imagem – aspectos da realidade óptica puderam ser desvelados, como se houvesse um inconsciente óptico, tal qual a psicanálise havia revelado haver um inconsciente psicológico, pulsional. Para Benjamin, é na montagem que o elemento criativo mais pode florescer no cinema; e como ela se baseia em choques audiovisuais entre planos e cenas, ela altera a apreciação artística e seu modo de recepção, que deixa de ser visual, e passa a ser tátil. Além disso, a relação entre concentração e fruição também se altera, pois o espectador de cinema passa a ser distraído e crítico ao mesmo tempo. Por todas estas características, o cinema passa a ser considerado como uma forma de arte revolucionária, além de que a politização da arte tornaria o cinema realmente revolucionário, impedindo-o de ser apreendido e empregado pelo fascismo. Assim, o cinema poderia colaborar para a conscientização da massa e para a efetivação do comunismo – tomado como exigência das próprias massas.
