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Dissertações

A Prudência na Ética Nicomaquéia de Aristóteles

Priscilla Tesch Spinelli

Dissertação
Autor
Priscilla Tesch Spinelli
Orientador(a)
BALTHAZAR BARBOSA FILHO
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL — UFRGS
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2005
2005Priscilla Tesch Spinelli. A Prudência na Ética Nicomaquéia de Aristóteles. 2005. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL, RS. Orientador(a): BALTHAZAR BARBOSA FILHO.3

O objetivo desta dissertação é apresentar a prudência conforme ela figura na Ética Nicomaquéia de Aristóteles. Ainda que a concepção contemporânea de prudência seja oposta à aristotélica na medida em que a vemos como uma disposição excessiva, de cautela demasiada, é possível observar que, em geral, o que pensamos sobre as ações, como elas ocorrem (ou são possíveis) e como elas devem ser feitas têm origem no pensamento aristotélico. Uma análise da prudência aristotélica pode, assim, nos ajudar a compreender melhor a maneira como, atualmente, concebemos, entre outras, as relações entre ação e desejo, fim e meio, escolha e felicidade..No primeiro capítulo da dissertação, buscamos elucidar, de maneira bastante geral, o conceito de eudaimonia ou felicidade, pois a prudência só poderá ser bem compreendida se for compreendido o contexto no qual ela opera e o papel que ela desempenha na realização de uma vida humana plena. No segundo capítulo, tratamos da noção de virtude moral, uma vez que a eudaimonia consiste em agir virtuosamente. É a virtude moral que relaciona-se intrinsecamente com a prudência, como é mostrado no terceiro capítulo; logo, é necessário elucidar a sua natureza. O terceiro capítulo, destinado diretamente à análise da prudência, divide-se em três partes. Em primeiro lugar, analisamos a noção de deliberação e escolha deliberada, uma vez que o prudente é aquele que delibera bem e age bem por causa dessa deliberação. Assim, na segunda parte, tratamos de elucidar a natureza da boa deliberação que caracteriza o prudente. Na terceira parte, por fim, analisamos a prudência na medida em que Aristóteles a caracteriza como uma virtude intelectual, ou seja, enquanto ela é um conhecimento prático. Ela é a razão que opera na virtude moral porque a última aperfeiçoa a capacidade desiderativa. .Na conclusão, buscamos extrair as conseqüências da relação intrínseca entre prudência e virtude moral. Trata-se da unidade ou conexão forte entre as virtudes naquele que é prudente. Mostra-se que essa conexão é “forte” na medida em que, se o prudente possui uma virtude moral, então ele possui todas. A tarefa final é, assim, mostrar como seria possível defender uma tese dessa natureza, uma vez que parece humanamente impossível ter todas as virtudes morais que Aristóteles apresenta ao longo da Ética Nicomaquéia. Entretanto, julgamos fazer isso mostrando que dispor de um caráter bom em geral não implica a necessidade de realizar todas as virtudes em particular. Apenas assim poderemos dizer que alguém é, como um todo, um ser humano feliz ou pleno e não apenas em alguns aspectos da sua vida.