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Dissertações

""""A realidade enquanto categoria metafísica fundamental: uma abordagem sobre a crítica de Xavier Zubiri à concepção intelectiva da metafísica""""

Damião Cândido de Sousa

Dissertação
Autor
Damião Cândido de Sousa
Orientador(a)
Manfredo Araújo de Oliveira
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ — UFC
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2003
2003Damião Cândido de Sousa. """"A realidade enquanto categoria metafísica fundamental: uma abordagem sobre a crítica de Xavier Zubiri à concepção intelectiva da metafísica"""". 2003. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, CE. Orientador(a): Manfredo Araújo de Oliveira.3

A metafísica sempre se entendeu como o fundamento da filosofia, no entanto, estamos vivendo numa época em que se afirma não ter sentido abordar questões filosóficas apartir de princípios fundamentais e/ou de sistemas, ou seja, a filosofia enquanto metafísica configura-se como anacrônica em nossa época. Zubiri percebeu, com bastante clareza, que o problema não está na reflexão metafísica enquanto tal, mas abordá-la a partir de um determinado horizonte: a filosofia antiga, marcada pelo paradigma da mobilidade, chegou, pelo logos, à verdade da realidade; os escolásticos, na compreensão de que a inteligência torna o homem imagem e semelhança de Deus, afirma que a verdade da realidade está no ato formal da inteligência, portanto, o ser da coisa é o que a inteligência concebe; os modernos, pela subjetividade, vão considerar que a verdade da realidade é alcançada pela faculdade intelectiva do sujeito. Ora, a questão metafísica, para Zubiri, não é primeiramente chegar à verdade da realidade, mas à realidade verdadeira. Por sua análise, ele constata que o sentir foi considerado pelos filósofos como um elemento secundário para o conhecimento da verdade das coisas; ele se tornou, simplemente, uma via para a recepção de dados; o decisivo era a inteligência que produz conceitos. Assim, por meio da inteligência, os filósofos acreditavam chegar à verdade essencial das coisas. Zubiri sistematiza sua crítica filosófica a partir dessa concepção, pois considera o sentir um elemento necessário, tanto quanto a inteligência, para saber sobre a coisa, tanto é que utiliza um neologismo para apresentar sua idéia: a inteligencia sentiente. Ele pretende explicitar, por esse conceito, que todo conceito é uma produção posterior, isso porque, a realidade verdadeira é aprendida já no momento de sentir, pois, no sentir a coisa """"fica"""" enquanto outro na inteligência; é o """"estar"""" da coisa na inteligência que possibilita o conceito. Neste novo horizonte novo horizonte a coisa não é mais entendida como substância, como na filosofia antiga, nem nem com ente, como na escolástica, nem como objeto, como na modernidade, mas como substantividade, pois, para Zubiri, a coisa é formada por um sistema substantivo que permite ser ela mesma devido às suas """"notas constitucionais"""", mas numa relação com as demais, por causa de suas """"notas adventícias"""". Portanto, Zubiri rompe a barreira do realismo e do idealismo, evidenciando o reismo como a instância para abordar a realidade enquanto tal.