A Realidade Psíquica e a Linguagem em Freud no Surgimento da Psicanálise
JÚLIO FLÁVIO DE FIGUEIREDO FERNANDES
- Autor
- JÚLIO FLÁVIO DE FIGUEIREDO FERNANDES
- Orientador(a)
- WALTER JOSÉ EVANGELISTA
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS — UFMG
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 1999
Nas obras em torno das quais surge a concepção freudiana de realidade psíquica encontramos elementos cruciais para o estudo da noção de linguagem que interessa à psicanálise. A que coisas se referem essas palavras que são dirigidas ao outro que escuta? Esta pergunta, contemporânea, é central nos trabalhos teóricos inaugurais do pensamento de Freud, cujas raízes encontramos no árido terreno da pesquisa neuropatológica. Partindo deste ponto e visando o momento em que o conceito de inconsciente já se havia estabelecido, nosso trabalho procura acompanhar o movimento das palavras e das coisas, como noções que permanecem no epicentro da discussão levada a efeito pelo iniciador da psicanálise. Temos como ponto de chegada os conceitos de deslocamento e condensação, mecanismos do trabalho de construção do discurso do sonho, paradigma das descrições do processo psíquico ocorrido continuamente à revelia da consciência. Delineiam-se, então, por consideração ao pensamento do sonho como discurso, como fala que se dirige ao outro, o caráter lingüístico e o recuo da representabilidade envolvidos na descrição dos eventos psíquicos na empreitada de Freud. O inconsciente, como objeto teórico, instaura uma nova via de entendimento do papel da linguagem que é próprio à psicanálise. Freud nos fornece dele os primeiros e mais decisivos elementos.
