A Relação Homem-Natureza: Bioética, Contrato Natural e Responsabilidade Ética
ANTONIO FABIO CABRAL DA SILVA
- Autor
- ANTONIO FABIO CABRAL DA SILVA
- Orientador(a)
- Iraquitan de Oliveira Caminha
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA ( JOÃO PESSOA ) — UFPB-JP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2006
A bioética é o conhecimento discursivo-prático que analisa e disciplina a ação do homem sobre a natureza em todos os âmbitos, ou seja, a ação da práxis tecnocientífica humana. É cada vez mais claro que a humanidade precisa tratar com mais responsabilidade seu hospedeiro, o Planeta Terra. Visamos conhecer os desdobramentos acerca da noção de natureza e a utilização dessa noção pelas várias concepções filosóficas, bem como suas implicações com a gestão da vida no planeta. Porém, a tendência em defender a Natureza pode ter seus perigos, podemos correr o risco de ver surgir uma tecnocracia ecológica mundial proveniente do conflito homem/natureza; como bem enfatiza Luc Ferry em seu livro A nova ordem ecológica: a árvore, o animal, o homem. Analisaremos as principais correntes ou linhas de pensamento que tratam da relação homem-natureza no âmbito da contemporaneidade, a saber: a antropocentrista, a utilitarista e a ecologia profunda. Todavia, a passagem da humanidade inteira pelo crivo da seleção natural para a seleção artificial, via adaptação aos suportes técnicos, leva cada vez mais os cientistas, homens de decisão, filósofos, ecologistas, políticos e religiosos a se preocuparem com o devir global. Essa preocupação não deve se limitar apenas ao meio ambiente humano, mas, sobretudo se referir à dimensão global que envolve a vida de todos os seres no Planeta. A partir dessa visão integradora, a ecologia se constituiria como um novo paradigma da consciência universal a partir de direitos próprios como mostra Michel Serres em seu livro O Contrato Natural. A tradição sempre defendeu uma ética antropocêntrica em que a natureza é reconhecida tão-somente como mundo material e lugar dos recursos que podem ser infinitamente explorados; ou ainda como meio ambiente externo ao homem que não se reconhece mais como ser natural, desvalorizando o suporte fundamental de sua própria condição de ser-no-mundo. Eis porque convém falar num novo ethos contemporâneo, que preserve a idéia de homem pela responsabilidade com o futuro, uma “ética do futuro” como aborda Hans Jonas em seu livro O Princípio Responsabilidade. O ethos é uma característica humana e é essa característica que nos torna diferentes, livres e responsáveis. Sabemos hoje que a noção de natureza é em si uma idéia culturalmente construída, e só ela permite superar os impasses da controvérsia científica e, também, satisfazer as necessidades culturais e naturais. Nesse sentido, refletiremos sobre os desdobramentos da noção de contrato natural e de responsabilidade ética para a concepção atual acerca da relação homem-natureza. Nosso estudo consiste, portanto, em demonstrar o conceito de bioética, os pressupostos que norteiam as vertentes do pensamento ecológico e as idéias contemporâneas que alimentam seus posicionamentos éticos e políticos e jurídicos.
