- Autor
- Wescley Fernandes Araújo Freire
- Orientador(a)
- Marly Carvalho Soares
- Universidade
- UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ — UECE
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2006
FREIRE, Wescley Fernandes Araújo. A Siginificação Ética do Rosto em Emmanuel Lévinas. .Orientadora: Profª Dra. Marly Carvalho Soares; UECE, 2006. Dissertação. ..RESUMO..O presente trabalho tem por objetivo analisar a significação ética do Rosto no pensamento de Emmanuel Lévinas, noção sem tradição filosófica. O Rosto apresenta-se como expressão da alteridade, que não se deixa tematizar. A apresentação de Outrem, como Rosto, desfaz qualquer projeção (imagem) que a subjetividade transcendental possa formular. Neste sentido, apresentamos o itinerário da crítica levinasiana à tradição do discurso filosófico ocidental que, ao privilegiar a Ontologia e o Ser, esqueceu do Outro. Decorre deste fato que o Outro, na História da Filosofia, se não foi esquecido – o que é discutível sob alguns aspectos – tornou-se um analogon do Eu transcendental, isto é, apenas alterego. Lévinas empreenderá uma crítica à Ontologia enquanto única possibilidade de abordagem ao Ser, propondo à Metafísica (Ética) como prima filosofia, isto é, uma abordagem mais original e originária do Ser, para além da esfera da identidade, abordagem que possa, sobretudo, preservar a transcendência do Outro. Para tanto, torna-se necessário repensar os fundamentos sob a qual repousa o conceito de subjetividade, não mais constituída ao nível egonômico. Trata-se da apologia de um ideal de subjetividade enquanto abertura ao Outro, subjetividade como apelo à responsabilidade a partir da invocação do Outro. No face a face, relação sem comunidade entre o Eu-Mesmo e o Outro, a liberdade é chamada a justificar-se, a tornar-se justa. A verdade e a justiça vão pressupor, portanto, um meio heterogêneo, mas não-alérgico. É neste espaço, como entende Lévinas, que podem brotar as verdadeiras relações intersubjetivas, não fundadas em acordos políticos, armistícios ou a partir de formulações éticas abstratas (imperativo categórico), mas a partir da visitação do Rosto do Outro, subtraindo o Eu do “mal de ser” e invocando-o à responsabilidade, até a Substituição. No Rosto do Outro se inscreve o ideal da responsabilidade como fundamento da moralidade, pedra de toque da reflexão ética de Lévinas. O resultado desta revolução filosófica implica uma redefinição da própria Filosofia, que deixa ser compreendida enquanto “Amor à Sabedoria”, convergindo para uma “Sabedoria do Amor” ao Outro, ao Próximo e à humanidade. Assim, o início da Filosofia se dará a partir do Rosto, como afirma Lévinas. ..
