A SOCIEDADE CAPITALISTA ENQUANTO RELIGIOSIDADE JUSTIFICADA: UMA REFLEXÃO A PARTIR DE FEUERBACH E MARX
ROSALVO SCHÜTZ
- Autor
- ROSALVO SCHÜTZ
- Orientador(a)
- Hans-Georg Flickinger
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 1999
O capitalismo é atualmente o modo de produção hegemônico no mundo. Sua lógica e suas exigências aparecem como expressão de uma naturalidade necessária e inevitável. Este trabalho é uma tentativa de compreensão desta suposta fatalidade necessária. Feuerbach e Marx são os autores nos quais buscaremos nos fundamentar. Feuerbach, ao criticar a alienação religiosa, delineou uma estrutura crítica muito convincente. Segundo ele, somente o ser humano, por suas características peculiares enquanto ser genérico, pode ter religião. Sendo que a religião é possibilitada pelo não reconhecimento desta essência como sendo sua. Por isso, quando o ser humano reconhecer como seus os atributos religiosos estará libertando-se de um estranhamento produzido por ele mesmo. Marx apropriou-se desta estrutura crítica e a partir dela desmistificou outras estruturas de alienação. Isso lhe permitiu compreender com muita profundidade a estrutura social burguesa, o dinheiro e a própria filosofia hegeliana. À medida que Marx foi aprofundando esta crítica, a dimensão econômica foi-se mostrando cada vez mais essencial para compreender a realidade social baseada na propriedade privada. Marx identificou na alienação do trabalho o início do estranhamento do ser humano de suas potencialidades genéricas e da sua submissão a um poder estranho. Porém, assim como Feuerbach não se limitou a criticar a religião, mas buscou nela a revelação de potencialidades essenciais ao ser humano, Marx também não se limitou a identificar as causas da alienação econômica. A descoberta do caráter social, histórico e natural da humanidade, são resultados desta dupla possibilidade de leitura da estrutura de alienação econômica. A realidade econômica revelou-se portadora de uma intensa processualidade social. Tornar consciente esta processualidade permitiu uma desmistificação da suposta fatalidade necessária da estrutura social e produtiva capitalista.
