A subjetividade como acolhida: crítica da razão de enquadramento da alteridade no pensamento de Emmanuel Lévinas.
Ricardo Antônio Rodrigues
- Autor
- Ricardo Antônio Rodrigues
- Orientador(a)
- Mario Fleig
- Universidade
- UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS — UNISINOS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2003
Este trabalho tem como tema a subjetividade como acolhida: crítica à razão de enquadramento alteridade no pensamento de Emmanuel Lévinas. A pesquisa se restringe a mostrar as conseqüências do conceito de subjetividade formada pelo conhecimento e fundada na autoconsciência e que, a partir da modernidade, tende ao domínio e a posse. Nisso reside a principal crítica levinasiana, onde para ele, o ocidente está construído sobre um edifício filosófico que prima pelo eu, e que tem como resultado a egolatria. Nesse sentido o Outro como tal não tem espaço e valor nenhum. É não-ser. Ou apenas dado sensível, ou quem sabe alguém que pode tornar-se algo importante desde que passe pela consciência constituinte que lhe atribua valor. Assim a relação ética fica obtusa, pois não há eticidade sem relação assimétrica entre o Eu e o Outro, e se uma das partes é anulada temos o enquadramento conceitual como a primeira injustiça, primeira violência...Está dividido em três capítulos, sendo que o primeiro trata o problema do enquadramento da alteridade na Mesmidade. E ao mesmo tempo, busca identificar nas tentativas de escape do racionalismo que o pensamento filosófico incide sempre numa exacerbação do eu. A discussão perpassa o solipsismo cartesiano, o empirismo baconiano e a pretensão da universalização do conceito, da clarificação e da classificação. Depois ao analisar as possibilidades de saída da modernidade como a Fenomenologia e a Ontologia e a proposta da Escola de Frankfurt vamos sempre incorrer no problema da Totalidade e a noção de alter ego. O segundo capítulo trata de apresentar a proposta levinasiana da Alteridade como fundamento da subjetividade na perspectiva do acolhimento. A manifestação do Outro como algo estranho à esse processo racional, o Outro como de outra ordem, como que resistência ao enquadramento através da linguagem do rosto, forjando a acolhida e a legitimação ética. E por fim, no terceiro capítulo entra a questão do rosto como expressão lingüística e inserção da Justiça. Pois a linguagem fará a mediação ética e relacional entre o Eu e Outro, permitindo assim a não anulação de nenhuma parte, através da assimetria relacional refaça-se a dimensão do humano. Não mais pela razão instrumental, mas pela sensibilidade, pelo Desejo, pela fruição, pela aceitação e pela responsabilidade frente ao Outro.
