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Dissertações

A temática da felicidade desde a antiguidade até Agostinho no seu período inicial, mais detidamente na obra De beata vita

Luiz Santos Gomes Filho

Dissertação
Autor
Luiz Santos Gomes Filho
Orientador(a)
Marcelo Perine
Universidade
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO — PUC/SP
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2007
2007Luiz Santos Gomes Filho. A temática da felicidade desde a antiguidade até Agostinho no seu período inicial, mais detidamente na obra De beata vita. 2007. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO, SP. Orientador(a): Marcelo Perine.2

Os grandes filósofos da Antiguidade dedicavam-se à filosofia como caminho que conduz à felicidade. As ações humanas objetivam alcançar os “fins”, os “bens”. Tanto as ações humanas quanto os “fins-bens” particulares para os quais tendem, subordinam-se a um “fim-último”. Este “fim-último é o “bem-supremo” que os homens sensatos concordam em chamar de felicidade. Para Platão a felicidade plena consiste na contemplação da idéia de Bem, para Aristóteles a felicidade (eudaimonia) não depende apenas da sorte, do destino, ou dos deuses, mas é alicerçada na natureza do homem e na ação humana. Na realidade, desde Demócrito, Platão, Aristóteles, os estóicos, até Plotino, muitas reflexões foram realizadas sobre o tema da felicidade humana. O tema da felicidade foi despertado em Agostinho a partir da leitura do Hortensius de Cícero, obra que o converteu ao interesse pela filosofia. O conceito de Beatitudo (eudaimonia) possui, para Agostinho, assim como para o pensamento ético grego, uma importância e centralidade decisiva a fim de estabelecer o finis bonorum (telos) do homem e, nessa perspectiva a própria tarefa da filosofia. A antiga questão da eudaimonia ganha, no iniciado cristão Agostinho, novas roupagens, e torna-se a principal motivação de seu filosofar. Estabelece então, uma relação sistemática entre os escritos filosóficos antigos, que trataram deste tema fundamental, e sua visão de convertido ao cristianismo, para elaborar o estudo da felicidade. Com Agostinho, embora seguindo de perto as idéias estóicas e mais ainda as neoplatônicas, a felicidade deixa de ser algo buscado e conseguido apenas pelo próprio esforço, seja virtuoso ou contemplativo, do homem. Ele precisa da graça divina e só por isso consegue atingir o seu telos. Na obra De Beata Vita, embora ainda não fruto de longa experiência cristã, Agostinho rompe com a tradição filosófica e propõe não mais a filosofia como porto da felicidade, mas a posse de Deus. Só a posse de Deus garante e produz a felicidade.