A unidade corpo-alma na fisiologia-ética do Timeu de Platão
KARINA LUCIA FABRINI DE MORAIS
- Autor
- KARINA LUCIA FABRINI DE MORAIS
- Orientador(a)
- MÍRIAM CAMPOLINA DINIZ PEIXOTO
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS — UFMG
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2009
A presente pesquisa procura investigar o estatuto da relação corpo-alma no quadro do Fédon e do Timeu e defende a tese do monismo filosófico como expressão do pensamento antropológico de Platão nesses diálogos. O nosso trabalho mostra que essa relação não pode ser elucidada por uma afirmação radical da impossibilidade de articulação entre o corpo e a alma, embora algumas passagens, principalmente do Fédon, suscitem uma ambiguidade em razão do tratamento que Platão concede ao problema. Assim, defendemos que já nesse diálogo o filósofo teria sustentado a tese do monismo filosófico, considerando a presença dos elementos dramáticos e da linguagem utilizada por Platão para descrever a natureza da relação. Em nossa leitura do Timeu, exploramos sua concepção de natureza humana como um conceito que exprime a unidade estrutural do """"composto corpo-alma"""" que é o homem. O tratamento que Platão concede ao problema nesse diálogo mostra que o corpo só pode ser pensado na sua relação com a alma. Nesse sentido, o presente trabalho discute as teses da geração e da corrupção do composto corpo-alma, da concomitância de geração do corpo e da alma, do estatuto da medula e da localização da alma do homem. A noção de afecção é uma peça-chave na compreensão da natureza da relação corpo-alma, uma vez que ela constitui o terreno por excelência para se compreender as várias modalidades dessa relação. Por meio dela compreendemos que toda afecção deve ser atribuída, em última medida, ao conjunto corpo-alma.
