A verdade em sua compreensão: um estudo sobre a gênese do § 44 de Ser e Tempo
Alexandre Rubenich Silva
- Autor
- Alexandre Rubenich Silva
- Orientador(a)
- Mario Fleig
- Universidade
- UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS — UNISINOS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2009
Ser e Tempo pode ser considerada a última grande obra filosófica escrita no século XX por um dos últimos grandes filósofos, cujo pensamento influenciara uma gama não menos significativa de intelectuais. Apresentando uma interpretação inovadora para uma das questões mais decisivas e caras à filosofia, e, por isso, necessariamente, à humanidade, o tratado nos oferece um número considerável de postulações que nos jogam, sem reservas, na situação da metafísica atual, a fim de, ao desconstruí-la, alcançar o sentido originário dos conceitos, o que sempre novamente vem dizer: apoderar-se da riqueza do pensamento passado, com o intuito de evidenciar o que ali ficara encoberto, a saber, que a questão guia do sentido do ser, introduzida por Platão, fora respondida, prematuramente, por intermédio do ente, de maneira que o ser, ele mesmo, fora esquecido. Ora, um dos caminhos encontrados por Heidegger para trazer à lembrança o ser fora a pergunta pela verdade. Portanto, não é por acaso que ela se coloca no tratado justamente quando o filósofo quer avançar para a questão do tempo, e isto logo após nos ter apresentado a estrutura fundamental do cuidado, articulada mediante a analítica existencial do ser-aí. Com efeito, investigar a gênese desta pergunta, que se oferece a Heidegger como abertura de mundo e relacionada à compreensão existencial-hermenêutica, desde as suas preleções oferecidas em Marburg, no período que imediatamente antecede à publicação do tratado, e, assim, desde o calor das discussões que foram cuidadosamente preparadas a seus ilustres alunos, é o que a dissertação se propõe. Nesses termos, busca evidenciar que o § 44 de Ser e Tempo, assim como a própria obra, é um trabalho que se deve ao maturar do pensamento de Heidegger e, assim, à compreensão da situação hermenêutica em que ele se descobrira filósofo, o que aqui vem significar: ao rico diálogo e profícua crítica a todos aqueles que se deixaram conduzir uma vez ainda pelo ente, seja em meio à ditadura da subjetividade, seja em meio às coisas elas mesmas.
