- Autor
- Humberto Duarte de Medeiros
- Orientador(a)
- Alvaro Luiz Montenegro Valls
- Universidade
- UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS — UNISINOS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2008
Neste trabalho, busco analisar a visão básica de homem presente no pensamento do filósofo Nietzsche e do apóstolo Paulo. Nesse olhar dobrado procuro contemplar a relação existente na visão de homem nietzschiana e na visão paulina. Essa busca se dá a partir dos escritos dos autores e de seus comentadores, procurando identificar a fundamentação da visão de homem de cada um dos pensadores em foco. A primeira parte do texto procura identificar o conceito de corrupção do homem. Para Nietzsche, a corrupção presente no homem é resultado da realidade do cristianismo. Ele atribui à fé cristã a responsabilidade pela corrupção da humanidade. Esse processo se deu pela invenção da idéia de um Deus punidor e recompensador. Relacionada a idéia de Deus, o pecado e suas conseqüências também foi uma invenção cristã para manipular a humanidade. Assim, ele mostra que o homem precisa romper com essas idéias, porque elas negam, destroem a vida. Enquanto Nietzsche nega a realidade do pecado, Paulo edifica seu conceito de corrupção exatamente em cima disso. Ele apresenta um Deus responsável pela criação do homem a sua ‘imagem e semelhança’, o que implica o homem como um ser responsável, ético. Assim, o não viver em conformidade com o Criador consiste na corrupção do homem. O trabalho procura na segunda parte identificar o projeto de superação da corrupção do homem proposto por Nietzsche e Paulo. Nietzsche propõe a travessia dessa condição para uma vida onde a vontade de poder expresse e encontre realização na perspectiva do eterno retorno. Sua proposta é voltada para a vida aqui e agora, alcançada através do próprio homem. Por outro lado, a proposta de Paulo revela que o homem pode superar a corrupção apenas por meio de um relacionamento de fé com Cristo, uma espécie de sacrifício substituto. Essa trajetória vai revelar o distanciamento dos dois pensadores.
