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Dissertações

Ação e Responsabilização. Uma análise da Ética Nicomaquéia III, 1-8

Inara Zanuzzi

Dissertação
Autor
Inara Zanuzzi
Orientador(a)
MARCO ANTONIO DE AVILA ZINGANO
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL — UFRGS
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
1999
1999Inara Zanuzzi. Ação e Responsabilização. Uma análise da Ética Nicomaquéia III, 1-8. 1999. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL, RS. Orientador(a): MARCO ANTONIO DE AVILA ZINGANO.3

A dissertação aborda a teoria da responsabilização moral aristotélica através da análise da teoria da ação moral estabelecida na Ética Nicomaquéia III. 1-8. Ela desenvolveu-se em três partes. Na primeira são analisados os capítulos III. 1-3 nos quais Aristóteles nos provê sua doutrina das ações voluntárias. Essas ações são definidas por duas condições: a) o princípio da ação é interno ao agente e b) ele tem conhecimento das circunstâncias nas quais a ação se dá. A interpretação fornecida para essas condições consiste em pôr em evidência o traço característico da ação humana voluntária, a saber, sua intencionalidade...Os homens realizam ações que descrevem para si mesmos com boas. Ora, isso significa dizer que os homens são capazes de se determinar a agir racionalmente. A razão, por sua vez, abre os homens dois caminhos opostos de ação e é na possibilidade de escolher um deles que Aristóteles suportará sua doutrina da ação livre. A responsabilização moral, por conseguinte, é fundamentada pela capacidade humana de agir racionalmente. Na Segunda parte, em que são estudados os capítulos III. 4-5, as ações provenientes desses juízos são analisadas através da concepção aristotélica de escolha deliberada. Nessa parte, mostra-se como a deliberação descobre e articula as razões que fundamentam a ação moral. É com base nessa investigação que o agente escolhe a ação que fará. Na terceira parte, correspondente à análise dos capítulos III.6-8, é estudada a apreensão do fim. O fim de toda ação, quer seja de fato bem ou mau, é apreendido como bom pelo agente, ou seja, é sempre um objeto intencional. A apreensão do fim é terminada pela disposição de caráter do agente: sua virtude ou seu vício. Aristóteles mostra que somos responsáveis pela apreensão do fim uma vez que somos responsáveis por nossa virtude e por nosso vício. Isso é assim na medida em que tais disposições são adquiridas pela repetição voluntária das ações virtuosas ou viciosas. Somos diretamente responsáveis por cada uma das ações que escolhermos, mas somos também responsáveis pelas disposições resultantes da repetição de tais ações, pois de cada uma dessas estava aberta à nossa escolha o fazê-las ou não.