- Autor
- MARINÊ DE SOUZA PEREIRA
- Orientador(a)
- MARILENA DE SOUZA CHAUI
- Universidade
- UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO — USP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2004
O presente trabalho intenta discutir a linguagem em Artaud, precisamente a constituição de uma linguagem dinâmica do e no espaço, cujos elementos cênicos se mesclam poeticamente. Para tanto, iniciamos o percurso com as primeiras inquietações artaudianas quanto às regras da linguagem escrita, desenvolvidas nas cartas trocadas com Jacques Rivière, diretor da Nouvelle Revue Française, e publicadas sob o título Uma Correspondência. Em um segundo momento, pretendendo aprofundar a discussão quanto às dificuldades postas pela tradução, em palavras, do fluxo contínuo da consciência, consideramos importante a análise da duração pura bergsoniana, tomada por Artaud para falar da consciência como bloco, anterior à divisão em estados e às convenções da linguagem articulada. Em seguida, buscando um meio propício para a composição de outra realidade, que não seja a cotidiana, e para a criação artística, sem preocupações formais e estéticas, e que melhor expresse a fluidez da consciência, abordaremos a passagem de Artaud pelo Movimento Surrealista. Finalmente, trataremos do Teatro da Crueldade e da constituição de uma nova linguagem, caracterizada pelo mobimento, pelo ato. Entender essa linguagem é entender o modo artuaudiano de pensar a revolução e o teatro; é entender que o teatro é ação e transformação capaz de levar à revolução profunda no homem, e assim, à construção de um outro mundo, tanto poético quanto necessário.
