"""" AS MÁSCARAS DO """"COGITO"""" - UMA INTERPRETAÇÃO DA REALIDADE HUMANA PELA ONTOLOGIA FENOMENOLÓGICA DE JEAN-PAUL SARTRE""""
NEIDE COELHO BOËCHAT
- Autor
- NEIDE COELHO BOËCHAT
- Orientador(a)
- Thais Curi Beaini
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO — PUC/SP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2003
Apresentação do Tema ......A obra filosófica de Jean-Paul Sartre, duas décadas após sua morte, é ainda uma obra polêmica e surpreendente. E podemos sobretudo, constatar que, apesar de já ter sido grandemente explorada, algumas questões não foram devidamente esclarecidas e pesquisadas, merecendo, portanto a nossa atenção...O trabalho aqui desenvolvido não objetiva, como talvez grande parte das pesquisas desenvolvidas sobre este filósofo, investigar o aspecto político e social de sua obra. O que propomos é uma investigação sobre uma questão não menos instigante, porém ainda pouco conhecida em sua obra. Trata-se da questão relacionada à noção de inconsciente. Noção essa tão assimilada pelo homem no decorrer do século XX, utilizada por psicólogos e psicanalistas e, até mesmo - de uma forma totalmente aleatória e ingênua - por grande parte da população leiga e desconhecedora do assunto. No entanto, apesar da grande aceitação dessa noção freudiana, Sartre a rejeitava e, na procura de novos caminhos e novas explicações, empenhou-se, então, na criação de uma ontologia que retirava do homem qualquer possibilidade de fuga de si mesmo, devolvia-lhe em troca a sua consciência e tornava-o, dessa forma, um ser que carregava consigo a responsabilidade pela sua existência . Tal ontologia é explicitada pelo filósofo em sua obra L'être et le néant que agora apresentamos como o referencial básico da nossa pesquisa. ..Mais de meio século após o lançamento dessa obra - período este dominado pela psicanálise e por intenso psicologismo, mas dominado, ao mesmo tempo, por um espetacular desenvolvimento tecnológico - um novo olhar se faz necessário. Os códigos, até então satisfatórios, hoje não são mais suficientes para interpretar nossa realidade. Os acontecimentos que inauguraram o século XXI, nos obrigam a encontrar novos códigos que nos possibilitem encontrar e conhecer a constituição desse novo homem , hoje produto de um mundo globalizado e sem fronteiras. E Sartre reaparece. A idéia de inconsciente tão difundida, popularizada e reforçada por um determinismo psicológico que, não levando em conta a espontaneidade da consciência, reduzia o homem a uma relação de causa e efeito, encontrava nessa instância psíquica, as causas internas para explicar determinados comportamentos. Rejeitando esta noção, afirmava Sartre que o homem jamais deixou de ser consciente e substituiu o inconsciente pela Má-fé: a consciência mascara uma verdade ou oculta de si mesmo uma verdade, mas """"aquele que se afeta de Má-fé deve ter consciência de sua Má-fé"""" ( Sartre, 2001. p. 84). Resta-nos então a questão: quem é este homem cujas ações não podem mais ser explicadas por um quadro de complexos inconscientes? Como devolver a esse homem sua consciência e, portanto, a total responsabilidade pelos seus atos e pelo seu ser? É exatamente este, o homem que Sartre tentou trazer e apresentar como um ser responsável não só por si, mas pela humanidade inteira. E é este o tema que tentamos abordar nesta pesquisa.
