Voltar para Dissertações
Dissertações

As origens históricas do Zaratustra de Nietzsche: o espelho de Zaratustra, a correção do mais fatal dos erros e a superação da morte de Deus.

Edrisi Fernandes

Dissertação
Autor
Edrisi Fernandes
Orientador(a)
Juan Adolfo Bonaccini
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE — UFRN
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2003
2003Edrisi Fernandes. As origens históricas do Zaratustra de Nietzsche: o espelho de Zaratustra, a correção do mais fatal dos erros e a superação da morte de Deus.. 2003. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE, RN. Orientador(a): Juan Adolfo Bonaccini.2

A partir de um atento exame das relações do Zoroastrismo com a tradição ocidental, bem como a partir de uma detalhada e crítica leitura da obra nietzscheana, este trabalho pretende mostrar o que o personagem """"Zaratustra"""", seus discursos e pensamentos poético-filosóficos e passagens correlatas de diversas obras de Nietzsche, espelham enquanto representações de uma filosofia que colhe, direta ou indiretamente, contribuições da tradição zoroastriana ou das suas derivações (na tradição judaico-greco-cristã, e ademais em toda a tradição filosófica ocidental). Municiada com essas contribuições, e com a interpretação que delas se faz, a filosofia nietzscheana questiona toda a tradição de pensamento do Ocidente, propondo a sua substituição por uma nova atitude diante da vida. Pretende-se, assim, mostrar de que maneira a constituição do Zaratustra nietzscheano ganhou corpo, nos escritos do filósofo alemão, junto com a idéia de fazer, de um personagem homônimo do antigo profeta iraniano (Zaratustra ou Zoroastro, o fundador do Zoroastrismo), o arauto daquele importante texto que pretendeu """"levar a língua alemã à [sua] máxima perfeição"""", enfeixando e levando a um clímax profético-poético condizente com o """"sentido da Terra"""" as idéias-chave de Nietzsche sobre a correção do """"mais fatal dos erros"""" e sobre a """"morte de Deus"""". Procedeu-se para tanto a uma minuciosa investigação das razões e dos modos como a constituição do Zaratustra nietzscheano teria se espelhado no seu homônimo iraniano (seções 1.1 a 1.6), e fez-se um levantamento da obra nietzscheana que sugeriu inquestionáveis relações com a tradição zoroastriana, no mais das vezes através de sua Wirkungsgeschichte. Essas relações foram contextualizadas, em diversas instâncias (seções 2.1 a 2.3.2), no âmbito do """"mais fatal dos erros"""" e d´""""a criação da moral"""" na ocasião mesma de sua transposição para o plano metafísico (Ecce Homo, """"Por que sou um destino"""", 3). Mediante uma avaliação das possíveis circunstâncias e repercussões da """"morte de Deus"""", as relações da obra nietzscheana com a tradição zoroastriana foram investigadas (seções 3.1 a 3.7), permitindo a compreensão desse acontecimento como componente essencial e trágico desenlace da correção do """"mais fatal dos erros"""".