- Autor
- Edson Luis de Amorim
- Orientador(a)
- Antonio José Romera Valverde
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO — PUC/SP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2010
A dissertação ASPECTOS MORAIS E RELIGIOSOS DA AÇÃO POLÍTICA, EM MAQUIAVEL, apresenta Maquiavel como um autor que se dedicou a aprofundar a ação política, no início do século XVI, quando a cultura humanista do Renascimento atingiu seu apogeu, ao testemunhar uma Itália acentuada pela crise política, moral e religiosa. A história da Itália e das Repúblicas do Norte, especialmente Florença, cidade natal de Maquiavel, constitui o ponto de partida deste trabalho, para uma compreensão dos aspectos do seu pensamento, que auxiliaram suas idéias a respeito da esfera da moral com a política e o caráter político da religião e a natureza humana, especialmente nas obras Discorsi e o Príncipe. O jogo político, que se desenrola no pensamento maquiaveliano, acontece essencialmente no terreno indeterminado das ações humanas, em que nem sempre é fácil precisar o bom e o mau desejo, mas apenas as ações que são nocivas e das que colaboram para a manutenção da liberdade, seu maior interesse. Esta pesquisa se destinou a mostrar que, mesmo não sendo moralista, ele foi capaz de estabelecer princípios fundamentais da conduta humana no sentido filosófico, ao analisar o aspecto da techné política, conseguindo inaugurar um olhar novo e diferente, na busca do que é possível, eficaz, no universo das possibilidades aos que procuram êxito nas suas ações. Ele percebeu que o discurso ético clássico, das normas absolutas, não conseguia dar conta da significação da ação humana, especialmente na esfera política. No aspecto religioso, o Florentino exalta a potência romana, mediante seus usos [constituioni] e ritos sacrificais, atua e mostra as razões de sua grandeza, sendo fortes ao combaterem com energia, demonstrando do que dependia aos povos antigos para que fossem amantes da liberdade e da tolerância. Constata que a religião pode permitir a exaltação e a defesa da pátria, quer que amemos e honremos, devendo todos estar bem preparados, ou seja, educados no amor à liberdade, como tantas repúblicas da antiguidade, sempre prontas para defendê-la. Em Maquiavel, a religião assume um duplo significado: é “instrumentum regni, o meio pelo qual, em nome de Deus, um legislador pode conduzir os grandes, e é também extraordinário empreendimento. Mas, diante da excessiva ambição e corrupção, a solução para manter a ordem civil na república corrupta, o Florentino indica o remédio para as “mãos régias”
