- Autor
- Marlei Grolli
- Orientador(a)
- Sara Albieri
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA — UFSC
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2002
Ao negar a existência de um """"eu"""" como responsável pela identidade pessoal e de uma """"substância"""" como responsável pela identidade dos objetos físicos, Hume tem que encontrar outra forma de explicar estas identidades. Ele espera dar tal explicação afirmando que sentimos uma conexão entre nossas percepções, no entanto, tal conexão não se deve às impressões mas a forma como as sentimos. Deste modo, não há uma conexão real entre as percepções para que possamos atribuir unidade à nossa mente mas sentimos esta conexão, logo, Hume investiga que faculdade da nossa mente poderia nos dar tal sensação. Sua conclusão é que nossa imaginação tem uma facilidade maior de relacionar idéias que são contíguas, semelhantes ou que estão causalmente conectadas. Estas três relações - de causalidade, semelhança e contigüidade - são assumidas por Hume como princípios capazes de juntar nossas idéias de forma a sentirmos uma conexão forte entre elas. Tais princípios são também denominados por Hume como """"legisladores no mundo das idéias"""". Por causa da conexão forte que sentimos entre as idéias, formamos a idéia de unidade da nossa mente, ou identidade pessoal. Da mesma forma, ao procurarmos nos objetos físicos o que permanece imutável para que possamos atribuir a eles identidade, nada encontramos. Tudo o que temos são as qualidades sensíveis de tais objetos que associamos na mente e formamos a idéia de identidade. Portanto, tanto a idéia de identidade pessoal quanto a idéia de identidade dos objetos físicos são ficções construídas pela nossa imaginação. Tais ficções são possíveis por causa dos princípios de associação de ideias.
