Autonomia em Kant e alteridade em Levinas, um diálogo (im)possível para uma ética necessária
Mercí Theresinha Kunzler
- Autor
- Mercí Theresinha Kunzler
- Orientador(a)
- Castor Marí Martín Bartolomé Ruiz
- Universidade
- UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS — UNISINOS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2008
A questão ética permeia a vida do ser humano e, segundo Kant, se há uma realidade absoluta neste mundo, esta é a realidade de nosso senso moral, da obrigação ética que conduz a nossa consciência para distinguir entre o certo e o errado. A ética kantiana consiste na descoberta do sujeito como valor e na ação do mesmo como responsável pela prática dos seus deveres. É a chamada moral do dever-ser, formada por um conjunto de princípios e regras comportamentais, deduzidas de máximas universais. Para ele, a ética é uma experiência da autonomia do sujeito que é governado por uma razão prática, permitindo a construção de uma lei universal. Kant pensa uma ética finita que envolve um dever e corresponde a um ser humano capaz de autonomia e, por isso, digno de respeito. Por outro lado, Levinas introduz o conceito de alteridade para embasar o seu projeto ético, que se funda na exterioridade, ou seja, a responsabilidade moral nos vem de fora, do outro, nosso próximo. Ele faz uma inversão radical, substituindo o ser pelo existente concreto, que se percebe como sujeito transcendente sendo para-o-outro. Segundo esse pensador, a “ética da alteridade” protege o ser humano da tentação de reduzir o outro a um conceito. Para Levinas, os homens são responsáveis uns pelos outros e a relação ética é o caminho da busca da verdade e do sentido da justiça. A intenção deste trabalho é fazer um paralelo entre os conceitos de autonomia em Kant e alteridade em Levinas, buscando uma compreensão do significado desses dois projetos para o desenvolvimento da teoria ética, assim como averiguar a possibilidade de um diálogo entre estes dois pensadores a respeito da ética, suas possibilidades e limitações.
