- Autor
- FÁBIO CRISTIANO DE MORAES
- Orientador(a)
- LUÍS CÉSAR GUIMARÃES OLIVA
- Universidade
- UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO — USP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2011
É possível encontrar uma ciência, nos moldes da ciência cartesiana, na filosofia de Blaise Pascal? Buscaremos no texto apresentar algumas razões pelas quais seja viável, na filosofia de Pascal, um conhecimento tal como imaginado por Descartes. A primeira destas razões é que, ao contrário de Pascal, a possibilidade de uma ciência em Descartes repousa sobre idéia de que entre os três entes da metafísca - Deus, o homem e o mundo - há uma comunicabilidade. Por esta razão, para o cogito é possível conhecer a Deus, pela idéia de infinito, e o mundo, através da Mathesis Universalis. Pascal não compartilha desta ideia, pois entre Deus, o homem, e o mundo, segundo o filósofo, há uma distância intransponível. A discussão das três ordens que traremos no texto nos revelará o quanto a ordem do espírito é heterogênea à ordem dos corpos. A impossibilidade de conhecermos a ordem dos corpos (física) unicamente através da razão lança-nos a reconhecer uma dimensão fundamental em nosso texto: a idéia de incerteza. A incerteza aparece no pensamento de Pascal na medida em que reconhecemos, através da crítica ao cartesianismo, o quão distantes estamos de qualquer fundamentação para o conhecimento. Sem fundamentos sólidos para o conhecimento, Pascal nos propõe as Regras dos Partidos e sua maneira de fazer física, partindo da experiência, como saída racionais para o impasse que nos coloca a realidade da incerteza.
