- Autor
- Marisa Eliane Monticelli Krindges
- Orientador(a)
- Castor Marí Martín Bartolomé Ruiz
- Universidade
- UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS — UNISINOS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2005
Esta dissertação tem por objetivo realizar uma investigação a respeito da compreensão da defesa da vida e da conservação da paz na teoria política de Thomas Hobbes. O processo de desenvolvimento para a busca dos fundamentos que comprovem isso é o estudo das principais categorias filosóficas desse grande filósofo e cientista político. Ele pretendeu construir uma ciência política rigorosa mediante o estudo minucioso do homem. A construção da teoria política hobbesiana tem como ponto de partida a hipótese de que a categoria de estado de natureza é parte constitutiva da teoria do Estado. A articulação entre o estado de natureza e o estado de sociedade faz-se pelo conatus da vida. No estado de natureza, todos têm poderes ilimitados estando vinculados ao desejo e esse, ao conatus, que responde ao impulso vital – preservação da vida – que deve ser a finalidade do Estado. Hobbes inaugura uma filosofia política centrada no pacto como meio para a conservação da vida e preservação da paz, desencadeando uma ruptura em relação à legitimidade divina do Estado. Ele propõe que a vida e a paz devam ser os objetivos centrais do Estado, embora, para isso, tenha que se constituir num Estado forte, não mais baseado em um poder divino, mas sim, centrado em um pacto entre todos os indivíduos. A concepção do pacto – que faz a transição de um estado de guerra de todos contra todos para um estado civil absoluto e seguro – é objetivada, primordialmente, como forma de preservar a vida e a paz, e não, meramente, para legitimar o poder absoluto. Ou seja, a legitimação do poder absoluto, em Hobbes, é uma conseqüência da sua prioridade na defesa da vida e da paz, e a constituição de tal poder é o único caminho viável para concretizar essa prioridade.
