Ciência Cognitiva, Sistêmica e Filosofia Bergsoniana: uma reflexão acerca da vida em sua capacidade organizativa.
SINOMAR FERREIRA DO RIO
- Autor
- SINOMAR FERREIRA DO RIO
- Orientador(a)
- JONAS GONÇALVES COELHO
- Universidade
- UNIVERSIDADE EST.PAULISTA JÚLIO DE MESQUITA FILHO/MARILIA — UNESP/MAR
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2007
Compreendendo a organização da vida por um viés evolucionista, ou seja, naturalista, tivemos por oportuno enfatizar a questão que envolve a necessidade que as modelagens das Ciências Cognitivas têm como desafio para criar um sistema artificial que se torne capaz de se constituir e evoluir como capacidades de movimento à maneira dos seres vivos, isto é, de criar um sistema capaz de criar a si como ser autônomo ao criar para si.suas necessidades ambientais de interação com o meio, orientadoras de seu movimento no espaço. Não obstante ser razoável que um sistema artificial efetue movimentos que reflitam a natureza viva de movimento, o que procuramos focar é a capacidade de esse sistema superar os mecanismos de organização, objetivados em estruturas robóticas, de modo a constituir, por si mesmos, outros mecanismos adaptativos capazes de efetuar.movimentos determinados pelas necessidades de se organizar no espaço autonomamente. Lançamos luz sobre esta questão, tendo presente algumas considerações que a Teoria dos Sistemas estima como fundamentais para pensar a vida em sua dimensão organizativa, na qual a complexidade se constitui como natureza de sua organização e a diferencia dos eventos que ocorrem segundo a lei de causa e efeito linear. A causalidade, nesse contexto teórico, é concebida como circular, em que os eventos se transformam e se determinam em sua ordenação e variação no tempo. A vida, em sua atividade organizativa, sendo de natureza complexa, insere-se como ordem própria de seus movimentos. Como efeito de processos interativos, a vida evolui, em suas capacidades de organização no espaço, ao assimilar do meio os eventos que se constituem, interativamente, como ambiente de ação. A evolução de suas estruturas organizativas manifesta a autonomia que a vida adquire na ordem da natureza ao ser capaz de efetuar movimentos no espaço segundo suas necessidades de sobrevivência, bem como manifesta a capacidade que a vida tem de alterar a si mesma, mediante interações com seu meio, em suas necessidades de sobrevivência. Assim, foi dentro de uma concepção evolucionista que transitamos ao refletir acerca da possibilidade de constituir um sistema artificial capaz de se organizar à maneira da organização viva ao se expressar autonomamente como criador de suas necessidades. Apoiados especificamente em algumas concepções da filosofia bergsoniana, concebemos que a questão toda passa pela capacidade de constituir, em um sistema artificial, um efeito de memória que assimile as condições de seu entorno a partir do que dele já é experiência. Um sistema que assim proceda, irá evoluir em suas capacidades de redefinir por si mesmo suas necessidades, de modo a orientar seus movimentos no espaço, segundo suas próprias necessidades de sobrevivência.
