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Dissertações

Concepção de experiência em Walter Benjamin

ANDREIA MEINERZ

Dissertação
Autor
ANDREIA MEINERZ
Orientador(a)
KATHRIN HOLZERMAYR ROSENFIELD
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL — UFRGS
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2008
2008ANDREIA MEINERZ. Concepção de experiência em Walter Benjamin. 2008. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL, RS. Orientador(a): KATHRIN HOLZERMAYR ROSENFIELD.3

A presente dissertação tem por objetivo apresentar a degradação da experiência.humana na modernidade a partir do diagnóstico feito por Walter Benjamin. Para.tanto, num primeiro momento, parte-se de um rápido percurso da história da.filosofia a fim de delinear o conceito de experiência e analisar um dos primeiros.textos em que Benjamin trata diretamente do assunto, “Sobre um programa da.filosofia vindoura”. Num segundo momento, busca-se demonstrar como vai.acontecendo a decadência da experiência a partir do ensaio “Experiência e.pobreza”, em que Benjamin considera que aos pobres de experiência resta apenas.assumir uma nova barbárie. O tema também aparece em “O narrador”, em que o.autor demonstra o aniquilamento de uma experiência, outrora sinônimo de.sabedoria e autoridade, consolidada por meio de sua transmissão de geração em.geração, própria de uma organização coletiva, comunitária, ritualística e artesanal..As formas narrativas correspondentes são sintomáticas deste processo de.esfacelamento da experiência: a narração - que vigorava no solo de um tempo onde.ainda tinha-se tempo para contar e ouvir histórias - fora substituída pelo romance,.caracterizador dos indivíduos isolados e solitários, e este, por sua vez, substituído.pela informação jornalística, forma narrativa fragmentada e desconexa. Analisar a.questão da experiência (erfahrung) em Walter Benjamin é contrapô-la à noção de.vivência (erlebnis). Na esfera da vivência, saturada de eventos e sensações, resta ao.ser humano a capacidade de reagir a esses estímulos (reportando à noção de.choque em Freud). A memória (e seu correlato – o esquecimento) é imprescindível à.experiência, mas perante os choques, o ser humano só armazena suas vivências na.camada mais superficial da consciência, impossibilitando recursos para a.experiência estética ou poética. Num terceiro momento, procura-se, nesse estudo,.fazer um diálogo entre as constatações e os conceitos da filosofia da experiência.benjaminianas com algumas imagens literárias, buscando, na literatura, elementos.que vicejam a reflexão filosófica. O conto de Jorge Luis Borges - “Funes, o.memorioso” - e o trecho de “Cem anos de solidão”, de Gabriel Garcia Marquez,.sobre a doença do esquecimento, são preciosos mananciais para esse fim. Por.último, problematiza-se a constatação da degradação da experiência na.modernidade. Discute-se a possibilidade da realização da experiência, bem como o.resgate de seu aniquilamento provocado pelas idiossincrasias da.contemporaneidade e, ainda, quais espaços propiciariam este possível resgate.