Conflito, Reconhecimento e Justiça: uma Nova Forma à Teoria Crítica
HERBERT BARUCCI RAVAGNANI
- Autor
- HERBERT BARUCCI RAVAGNANI
- Orientador(a)
- CLELIA APARECIDA MARTINS
- Universidade
- UNIVERSIDADE EST.PAULISTA JÚLIO DE MESQUITA FILHO/MARILIA — UNESP/MAR
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2010
O presente trabalho tem por pessuposto a relação crítica que os escritos de Axel Honneth mantem com os trabalhos de Jürgen Habermas. Se, por um lado, a teoria dos interesses cognitivos construída por Habermas na década de 1960 permanece para Honneth como uma intuição fundamental em toda a sua obra, por outro, Honneth desdobra uma crítica interna aos desenvolvimentos teóricos de Habermas no decorrer da década de 70 até a Teoria da Ação Comunicativa (TAC). A distinção ao mesmo tempo rígida e ambivalente (analítica ou real) entre """"sistema"""" e """"mundo da vida"""", levada a cabo na TAC, se mostra para Honneth como uma tentativa ineficaz de decifrar o aspecto realmente importante e estruturante da interação comunicativa. Em Crítica do Poder Honneth concretiza tal crítica colocando em questão os pressupostos indealizantes da abordagem linguística da interação comunicativa, e abre caminho para a interpretação do aspecto moral dos conflitos e lutas sociais enquanto elemento estruturante da intersubjetividade. Com tal procedimento argumentaremos que Honneth abre uma perspectiva da """"ampliação"""" da intersubjetividade, dando luz a um projeto de teoria crítica que estabelece o conflito como fundamento social da crítica e elemento fundamental da interação. Como conclusão, assinalaremos o desenvolvimento problemático que a teoria do reconhecimento dá à intersubjetividade quando, já em Luta por Reconhecimento, Honneth coloca a psicologia social pretendidamente empírica de G. H. Mead como núcleo central da decifração da """"luta por reconhecimento"""". Para nós, Honneth dá como pressuposta, no prosseguimento de seu projeto, a interação comunicativa e trabalha com a intersubjetividade prática de acordo com um modelo """"restrito"""" de intersubjetividade, justamente como a crítica que ele mesmo dirige a Habermas.
