Voltar para Dissertações
Dissertações

Conhecimento e afetividade em Espinosa: da reforma da inteligência à potência do conhecimento como afeto

ADRIANO PEREIRA DA SILVA

Dissertação
Autor
ADRIANO PEREIRA DA SILVA
Orientador(a)
RICARDO MONTEAGUDO
Universidade
UNIVERSIDADE EST.PAULISTA JÚLIO DE MESQUITA FILHO/MARILIA — UNESP/MAR
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2012
2012ADRIANO PEREIRA DA SILVA. Conhecimento e afetividade em Espinosa: da reforma da inteligência à potência do conhecimento como afeto. 2012. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE EST.PAULISTA JÚLIO DE MESQUITA FILHO/MARILIA, SP. Orientador(a): RICARDO MONTEAGUDO.2

O presente trabalho procura investigar a teoria do conhecimento espinosana e a força afetiva no processo de construção das ideias verdadeiras e adequadas. Nosso objetivo é analisar o conhecimento como um poderoso afeto, segundo a epistemologia de Espinosa, pois a razão torna-se afetiva quando se transforma em causa adequada de si mesma. No que concerne à distinção ação versus paixão, de acordo com a terminologia espinosana, pode-se dizer que somos ativos quando somos causa adequada daquilo que se passa em nós ou, em outras palavras, quando somos determinados a isto ou àquilo por um movimento interno e não afetados pelo exterior. Por isso, a teoria do conhecimento de Espinosa parte da plena convicção de que existe o Ser e a verdade, e somos capazes de conhecê-los. Segundo ele, a verdade existe e não é produzida por nós, ou seja, é preciso somente buscar um caminho seguro para descobri-la, e o critério que permite esta segurança é distinguir as ideias verdadeiras (adequadas) das falsas (inadequadas), voltando-se para si mesmo e fazendo uma reflexão sobre as próprias ideias. Por isso, esse caminho seguro é a reforma do intelecto que Espinosa tentou demonstrar em sua obra Tratado da Reforma da Inteligência, a qual procuramos analisar, investigando como se procede essa reforma. A importância da reforma da inteligência consiste no próprio esforço de pensar uma nova maneira de viver para escapar ao que as alegrias passivas trazem de mau; o pensamento é, ele mesmo, sentido ou experimentado como algo bom. Espinosa, contudo; considera, em seus estudos e tentativas de compreensão das paixões, que a origem dos afetos está em algum tipo de conhecimento e sugere que analisemos a Ética para compreendermos com maior clareza por que e em que sentido o problema dos afetos é um problema de conhecimento. De acordo com Espinosa, a resolução do problema dos afetos é essencialmente um problema de conhecimento, já que o afeto é uma ideia do que se passa no corpo. Por isso, os elementos da teoria espinosana do conhecimento e dos afetos nos ajudam a compreender, porém, que não importa tanto se o conhecimento é verdadeiro (racional) ou se é mera crença (imaginação, paixão); o que de fato importa é o grau de afetividade com que conhecimentos certos ou crenças corretas nos afetam. Por isso, quanto mais avançarmos no conhecimento das causas que nos determinam, mais aprendemos a conhecer o universo e as leis que o ordenam. Nesse conhecimento, portanto, iremos descobrir a beleza do mundo e de nós próprios e teremos, certamente, aprendido a nos amar e amar a vida. A felicidade que este conhecimento proporciona terá transformado as nossas paixões tristes em paixões alegres.