Voltar para Dissertações
Dissertações

Conhecimento e Felicidade: uma Crítica ao Pragmatismo a partir de um Estudo do Papel da Ciência no Projeto Ético-Social de John Dewey

Humberto Pessoa Pinto

Dissertação
Autor
Humberto Pessoa Pinto
Orientador(a)
Luiz Henrique de Araújo Dutra
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA — UFSC
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2004
2004Humberto Pessoa Pinto. Conhecimento e Felicidade: uma Crítica ao Pragmatismo a partir de um Estudo do Papel da Ciência no Projeto Ético-Social de John Dewey. 2004. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA, SC. Orientador(a): Luiz Henrique de Araújo Dutra.1

O pensamento de John Dewey é centrado em problemas ético-sociais. Preocupa-o a grave crise moral em que a sociedde mergulhou em decorrência do progresso científico e tecnológico, que, a o provocar mudanças rápidas e profundas nas condições sob as quais vivemos, confundiu nosso valores e desorganizou nossa conduta. Dewey pensa que tal crese pode ser resolvida por meio da própria ciência, cujo método crítico e experimental poderia servir de inspiração e guia apara a reconstrução racional das instituições, dos hábitos e dos fins sociais. Tal reconstrução, entretanto, encontraria forte resistência nos meios intelectuais, em virtude da noção tradiocional segundo a qual o conheicmento é uma representação estática da realidade, um processo separado de e superior à ação. Para viabilizar o seu projeto reconstrutivo, pois Dewey tem de reformular a teoria do conhecimento, de modo a reinserir este no domínio prático. A nova concepção de conhecimento por ele proposta é intimamente ligada à noção de valor. Em contraste com a teoria tradicional, que, ao identificar de modo exclusivo os objetos do conhecimento com o real, implicitamente atribuía valor intrínseco a tais objetos, Dewey considera intrinsecamente valiosas apenas as qualidades particulares imediatamente percebidas e desfrutadas na experiência não-cognitiva. Os objetos do conhecimento, agora reduzidos a nada mais que conseqüências antecipadas de eventos presentes, usadas como guia para o controle e a conexão dos fenômenos, passam a ter, portanto, valor apenas instrumental. Assim, o conhecimento, quer na forma ordinária, quer na científica, torna-se uma mera forma de ação, prática..Embora a teoria deweyana dos valores permita conceber o conhecimento de um modo que torna aceitável a aplicação da ciência aos problema práticos e sociais, argumentamos que a aplicação proposta por Dewey envolve conseqüências que são incompatíveis com aquela teoria. Como solução para a crise moral contemporânea, em que modos de vida tradiconais conflitam com as novas possibilidades geradas pelo avanço tecnológico, Dewey propõe uma reconstrução ético-social na forma de um processo deliberativo em que as diversas possibilidades de ação em conflito sejam seguidas imaginativamente até suas conseqüências, de modo que se possa figurar uma conseqüência ou um fim abrangente que integre satisfatiriamente as várias tendências, liberando a ação de forma harmonicamente plural. Dada sua complexidade e a mutabilidade do mundo atual, contudo, cada nova atividade assim forjada, ao ser iniciada, já deparará com uma nova e mais complexa situação de conflito, que provocará um novo processo deliberativo, exigindo um esforço reflexivo e integrador ainda maior, de modo que ainvestigação se torna perene, tendo como único fim a contínua multiplicação dos fins da conduta. A incompatibilidade dessa solução com aquela teoria dos valores está em que a primeira, ao perenizar a investigação, estendendo o pensamento reflexivo à totalidade da experiência, aparta o indivíduo da posse e do desfruto das qualidades individualizadas da experiência direta que têm valor intrínseco para a vida. Assim, do ponto de vista da própria teoria deweyana dos valores, a aplicação da ciência ao domínio moral, como ele propõe, é inaceitável..O projeto Deweyano de reconstrução social precisa, pois, ser substituído. Como um primeiro passo na direção de uma efetiva solução para aquela crise moral, propomos que se busque uma forma alternativa de investigação cinetífica que esteja mais próxima da experiência qualitativa imediata. Uma tal ciência seria mais harmoniosa com a vida moral.