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Dissertações

Conhecimento prático e metafísica especulativa em Kant

FERNANDO COSTA MATTOS

Dissertação
Autor
FERNANDO COSTA MATTOS
Orientador(a)
MARIA LÚCIA MELLO E OLIVEIRA CACCIOLA
Universidade
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO — USP
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2001
2001FERNANDO COSTA MATTOS. Conhecimento prático e metafísica especulativa em Kant. 2001. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, SP. Orientador(a): MARIA LÚCIA MELLO E OLIVEIRA CACCIOLA.3

O presente trabalho parte do princípio de que é possível distinguir dois sentidos principais para a expressão """"conhecimento prático"""" na obra de Kant: em sentido amplo, ela serve para designar tudo o que se relacione com o agir, a liberdade e a lei moral, correspondendo portanto ao domínio da filosofia moral em geral. Em sentido estrito, designa o conjunto de proposições de natureza teórica que, nos postulados da razão prática e em torno deles, marca uma esfera da especulação racional acerca do supra-sensível que tem sua especificidade delimitada pela relação necessária com a realização do Soberano Bem, que faz com que se tornem objeto da fé racional. Tendo essa distinção em vista, estabelecemos o conhecimento prático em sentido estrito como sendo o nosso objeto e, com relação a ele, buscamos discutir três questões principais: qual a natureza de seu conteúdo e, a partir disto, qual o seu """"lugar"""" no sistema kantiano (capítulo 1); qual o seu """"peso"""" no sistema, tendo em vista sua confrontação com o conhecimento teórico e o problema da coisa em si (capítulo 2); qual a sua relação com o conhecimento prático em sentido amplo, e, nesta direção, qual a sua relação com a lei moral enquanto """"factum da razão"""" (capítulo 3). De um modo geral, procuramos mostrar que há duas grandes linhas possíveis de leitura atravessando toda a problemática: os comentadores mais """"assépticos"""", de um lado, que querem fazer de Kant um demolidor da metafísica e que, para tal, buscam eliminar todo e qualquer resquício metafísico de seu pensamento; e os comentadores """"ontológicos"""", de outro, que querem ver em Kant um grande metafísico, em muitos pontos continuador da tradição. Embora não tenhamos a pretensão de estabelecer uma posição definitiva a respeito, procuramos preservar aberta a tensão entre essas duas perspectivas, ambas a nosso ver presentes na obra, tentando marcar os pontos em que assiste mais razão a uma e a outra.