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Dissertações

Consciência e Existência em Sartre

Silvana Maria Santiago

Dissertação
Autor
Silvana Maria Santiago
Orientador(a)
Custódio Luis Silva de Almeida
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ — UFC
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2004
2004Silvana Maria Santiago. Consciência e Existência em Sartre. 2004. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ, CE. Orientador(a): Custódio Luis Silva de Almeida.2

O presente texto tem o objetivo de esclarecer os conceitos de Consciência e Existência no pensamento de Jean-Paul Sartre. No primeiro momento, a odeia é apresentar o existencialismo de Sartre, levando em consideração o método fenomenológico. Essa postura será na concepção de Sartre a única que nos coloca diante da existência, portanto não podemos falar da consciência np pensamento deste filósofo, sem levantar o problema da existência, daí todo o seu esforço para provar esse enlace na sua mais importante obra, O Ser e o Nada. Vale ressaltar aqui que, no nosso texto fizemos uma rápida menção à fenomenologia de Husserl, pois entendemos que esse pensador é fundamental para a compreensão de Sartre. .A intenção do texto é também esclarecer a relação entre consciência e existência. Esses dois pólos se intercruzam, dando a idéia de ser a mesma coisa. Falar de consciência é se referir à existência, ou seja, a existência é pressuposta para a existência e vice-versa..No segundo momento, dar-se-á continuidade àquilo que já fora enunciado no primeiro capítulo. A idéia é pensar a existência tendo uma condição à liberdade. Não abandonando o plano da consciência, visto que para Sartre é acontecimento absoluto, existir é transcender, na medida em que para existir deve-se ter como pressuposto a liberdade, por isso compreendemos que a existência não é um estado, mas um ato. Ter consciência é saber que aquilo que tomamos como verdade no mundo não corresponde ao sentido que foi dado. Isso quer dizer que nada tem uma finalidade, um sentido único, mas tudo é uma construção humana. E se é assim, não há uma idéia reguladora que rege o mundo como pensara Platão. São os próprios homens os agentes e atores desse processo, e, portanto, os únicos responsáveis por dar sentido ao mundo. Daí a razão pela qual Sartre entende a existência como algo absurdo..Estabelecer a relação entre consciência e existência significa levantar a questão fundamental no pensamento de Sartre. Para ele a consciência é a única capaz de perceber o objeto, e não só isso, mas ela percebe que percebe, ou seja, é ser Para-si, diametralmente oposta ao Em-si. Nesse sentido, ter consciência é saber-se como ser situado no mundo, é saber que o mundo só ganha sentido com a sua intervenção. Ora, se o homem dispõe de transcendência que tem a ver com a condição em que o homem se encontra, ou seja, ele é i único ser que se descobre no mundo e por ser assim, ele precisa criar, inventar. Tal como Sartre descreve: não existe determinismo, o homem é livre, o homem é liberdade..Ora, se o homem está condenado para a liberdade, e com ela a responsabilidade absoluta pelos seus atos, isso quer dizer que ele também carrega sobre seus ombros a responsabilidade por suas escolhas, considerando que ao fazer isso, ele responde moralmente por si, mas também, pelos outros. Para o nosso autor, como nada está determinado, não há uma moral que guie os homens, uma vez que nos encontramos lançados no mundo que também é absurdo. Não há nada em que se apegar, o homem se encontra condenado a inventar-se.