- Autor
- Carlos Eduardo de Moura
- Orientador(a)
- Luiz Roberto Monzani
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS — UFSCAR
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2010
O advento da moral em Sartre delineia-se através da afirmação da liberdade, o único fundamento e a fonte de todos os valores. A consciência constitui-se, no âmago da História, como consciência moral ao tornar-se avaliação e reflexão sobre os seus valores, que reclamam um fundamento e esse fundamento é a “consciência enquanto liberdade”: a consciência está na origem do valor. A obra moral que Sartre prometera no final de L'être et le néant pode encontrar seu prolongamento nos Cahiers pour une morale, possibilitando esboçar os traços de uma moral autêntica como uma angustiante interrogação cravada no coração dos homens e não em uma série de prescrições meramente abstratas. A questão central dos Cahiers é a do lugar do valor no domínio da moral, tal como se colocava a Sartre no final de L'être et le néant, a partir da concepção da liberdade que aí formulava: a liberdade e a responsabilidade colocadas em uma dimensão ética. Sendo o mundo constituído dentro de uma relação de interdependência, a autodeterminação, a coletividade e a História é que fundamentarão essa liberdade e essa responsabilidade eticamente. O ponto de partida do pensamento sartreano é a subjetividade, apresentando a figura de um homem que é transcendência e que, por isso mesmo, faz parte da História e encontra-se sempre interligado com outras consciências, de modo que a moral e a historialização afirmem a liberdade. Falar de coexistência é colocar diante do ser uma moral do dever-ser que suponha uma destotalização, uma criação moral que jamais poderá ser independente das circunstâncias históricas: liberdade e cogito são a fonte de todo valor. A moral da ação e do engajamento apenas é defensável por meio de uma liberdade que não seja abstrata, mas somente exercida em situação concreta, por um indivíduo que produza a “totalidade” e por ela seja produzido. Não há a priori, não há verdades reveladas e é assim que o coeficiente de adversidade surge durante o processo, permitindo ao homem revisar seus valores e exercer o ato criativo: o homem se engaja em um mundo resistente. Como não está só, o valor, o dever e a obrigação surgem por meio de um jogo dialético de consciências livres entre si. Eis a concepção sartreana do reconhecimento do agrupamento humano como “totalidade destotalizada”. Portanto, apenas é possível compreender a Moral ao aprofundar-se nas relações entre moral e história. O “sistema de fins” só pode ser colocado por um sujeito que se projeta no futuro, que constrói suas próprias possibilidades, em e pela realidade humana concreta. A praxis, definida pela visão Dialética da tensão entre “Universal-Singular” se dá por um sujeito que reconhece sua própria autonomia e a dos outros, atualizando sua liberdade e a do outro e por uma conversão que se faz em situação: a verdadeira moralidade concreta será possível apenas pela ação sistemática sobre a situação, suprimindo a alienação.
