- Autor
- Cristiana Lopes de Oliveira
- Orientador(a)
- José Antonio Saja Ramos Neves dos Santos
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA — UFBA
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2010
O fato de não ter sistematizado uma teoria sobre a moral e ter negado qualquer concepção cristã acerca de Deus pode ter dado margem para que se pensasse a filosofia sartriana como totalmente incompatível com qualquer possibilidade ética. Aceitar um possível estamento moral no existencialismo sartriano não seria mesmo abdicar ao conceito de liberdade tão próprio de sua filosofia? Não cairíamos no erro de uma afirmação acerca da existência de normas pré-estabelecidas e absolutas que Sartre rejeita? Seria o conceito de consciência, em Sartre, um suporte para se pensar um subjetivismo arbitrário ou é possível uma conciliação entre sujeito e realidade objetiva? Como é possível pensar numa moral sartriana se o princípio basilar do existencialismo está pautado numa subjetividade e numa definição de significados feita por um sujeito diante de suas próprias escolhas? Para Sartre, pensar numa moral em outro sentido que não o da concretude humana seria retornar à filosofia dogmática do século XVII. Nesse sentido, o objetivo de Sartre é, pois, a partir de sua crítica à concepção clássica de consciência, estabelecer uma nova forma de relação do homem com o mundo, e com isso fundamentar sua noção tão própria de liberdade. A liberdade em Sartre é o que necessariamente se apresenta como fundamento do valor, logo, da moral. Nosso texto se propõe a demonstrar que é possível a conciliação entre as normas coletivas e liberdade individual em Sartre. Demonstrar, portanto, que é possível uma moralidade na filosofia existencialista sartriana como fonte primeira de expressão livre, humana e contingente
