- Autor
- Viviane Bagiotto Botton
- Orientador(a)
- Abel Lassalle Casanave
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA — UFSM
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2004
Esta dissertação apresenta uma reconstrução do problema em torno da noção de construção simbólica apresentada por Kant na Crítica da Razão Pura; também relaciona essa noção com as teses kantianas na Investigação de 1764 e da Carta a Rehberg. No primeiro capítulo da dissertação vê-se que Kant propõe uma nova maneira de conceber o conhecimento em matemática, a saber, por construção de conceitos. Para Kant, construir um conceito é apresentar a priori a intuição que lhe corresponde. A geometria constrói ostensivamente (figuras); e a álgebra constrói simbolicamente. O conhecimento por manipulação simbólica configura-se problemático, dado que envolve signos ou carecteres que não são correlatos intuitivos de conceitos, como o são as figuras da geometria. A concepção Kantiana de construção, desse modo, parece não contemplar a álgebra. No contexto dessa discussão, alguns comentadores de Kant oferecem sugestões de como compreender a concepção kantiana de álgebra e de ?construção simbólica?, conforme se apresenta no segundo capítulo desta dissertação. Dentre as sugestões dos comentadores, uma delas propõe que Kant concebe a álgebra como método de resolução de problemas aritméticos e geométricos e não como uma disciplina autônoma. Esta interpretação pode ser ligada com as concepções pré-críticas da Investigação, cuja inspiração é leibniziana, e com a referida carta como veremos no terceiro capítulo. Na Carta a Rehberg a concepção kantiana de álgebra como um método mostra-se mais claramente, pois considera ?a enquanto um conceito algébrico que sempre pode ser construído em geometria, mas nem sempre em aritmética. A partir disso, conclui-se que por ?construção simbólica? entende-se um procedimento de resolução de problemas que opera mecanicamente com signos, mas se refere a um correlato intuitivo, na medida em que pressupõe construções ostensivas subjacentes.
