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Dissertações

Cura é ethos: por uma ética como ontologia a partir do pensamento de Heidegger

Aurélio Alves Ferreira

Dissertação
Autor
Aurélio Alves Ferreira
Orientador(a)
André Martins Vilar de Carvalho
Universidade
UNIVERSIDADE GAMA FILHO — UGF
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2001
2001Aurélio Alves Ferreira. Cura é ethos: por uma ética como ontologia a partir do pensamento de Heidegger. 2001. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE GAMA FILHO, RJ. Orientador(a): André Martins Vilar de Carvalho.2

A nossa busca com esta investigação consiste em mostrar que pensar ontologicamente, em Heidegger, já é pensar eticamente. Assim, para mostrarmos este caminho é preciso deixarmo-nos guiar, em um primeiro momento, por Ser e Tempo, mais exatamente pela cura, na intenção de deixar que os próprios caminhos se abrissem à medida que fossemos adentrando os espaços próprios para a acolhida, para o albergue do ser humano...A nossa intenção é deixarmo-nos conduzir pela cura porque a cura, tal como Heidegger entende, dá ao ser humano a possibilidade de inserir-se no contexto da habitação humana. Nesse sentido o homem não é apenas racional, ou seja, o que o diferencia dos outros entes não é a possibilidade de pensar logicamente, ao invés disso, o ser humano se diferencia porque ele necessariamente mantém-se ocupado o tempo todo cuidando de algo. Podemos dizer também: o ser humano só se dá lançado-ao-mundo. O ser humano só se faz humano no-mundo. Daí a proximidade de cura e ethos, pois a partir do momento em que o ser humano é lançado ao mundo ele tem a responsabilidade de cuidar do mundo. Essa habitação, se pensarmos o ser humano como um ente guiado pela cura, será construída por um pensamento que concebe o homem, a mulher, a flor, a onça, o leão, a árvore, o rio, a montanha como entes que têm as mesmas possibilidades de existência. Se deixarmo-nos conduzir pela cura estaremos construindo uma habitação que ao invés de excluir inclui. ..Então, o que vemos nesta caminhada é a possibilidade de construirmos espaços acolhedores, livres das determinações, certezas e dogmas. Vemos a possibilidade de reaprendermos a aprender. A possibilidade de aprendermos a ouvir, a ver e a sentir. Enfim, vemos a possibilidade de pensarmos a ética ontologicamente.