- Autor
- Luciana da Silva Mendes Ferreira
- Orientador(a)
- Julio Ramon Cabrera
- Universidade
- UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA — UNB
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2008
Esta dissertação tem como tema a investigação das possíveis relações entre a filosofia de Heidegger e a ética, posto que, apesar da recusa do filósofo alemão de pensar uma ética e das críticas tecidas por outros filósofos ao limite da ontologia fundamental quando se deve pensar a consideração do outro, observamos uma tendência atual em favor da defesa de uma ética implícita ou relacionada à sua ontologia..Com o intuito de preparar o enfrentamento da questão, iniciamos o nosso percurso com uma explanação a respeito do pensamento metafísico, tal como o entende o filósofo alemão, a fim de contextualizar o nascimento das éticas. Em seguida, apontamos para a necessidade da desconstrução dessas éticas a partir da superação da metafísica defendida por Heidegger. Apresentamos, então, a perspectiva de Loparic no que concerne à desconstrução das éticas, cuja dimensão ontológica permaneceu impensada pela tradição precedente. Essa dimensão, por sua vez, foi esclarecida a partir da ontologia fundamental, descortinando, em diálogo com a interpretação de Heidegger do ethos grego, o que definimos como um “habitar ético originário” ou “eticidade”..Uma vez que esclarecemos o sentido desse habitar ético originário, diferenciando-o daquilo que convencionalmente chamamos ética, indagamos, em diálogo com alguns filósofos contemporâneos, sobre a possibilidade de um outro passo: pensar uma ética filosófica não metafísica haurida da ontologia de Heidegger..Defendemos, por fim, que a ontologia fundamental, embora possa ser assumida como o solo impensado das éticas, não pode servir de parâmetro suficiente para orientar eticamente a nossa existência. Essa conclusão encontrou o seu fundamento no que denominamos “ambigüidade essencial”, sugerida como a condição fundamental do nosso ser-no-mundo e, portanto, da nossa eticidade. Suspeitamos que, se o ser pode ser tido como o solo fenomenológico da nossa moralidade, não obstante isso, não se define critério para a elaboração ou a interpretação de uma ética filosófica. Nesse contexto, todavia, a nossa moralidade seguramente encontrará outros critérios, reafirmando-se como uma das experiências fundamentais da existência humana.
