Da ética do indizível à função do silêncio no Tractatus Logico-philosophicus de Wittgenstein
Rudimar Mendes
- Autor
- Rudimar Mendes
- Orientador(a)
- Mario Fleig
- Universidade
- UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS — UNISINOS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2007
A presente dissertação analisa em que sentido Wittgenstein nos convida ao silêncio a partir de seu último aforismo no Tractatus logico-philosophicus (1921), que foi norteador deste trabalho: “Sobre o que não se pode falar, sobre isso deve-se calar.” (7). Observa-se que o silêncio ocupa um lugar de identidade, ou seja, será necessário guardá-lo, protegê-lo, pois é a partir do silêncio, para Wittgenstein, que será possível encontrar a “clareza” que se busca sobre o mau uso que se faz da linguagem. O silêncio é, portanto, o hiato entre o dito e o não-dito; nele estão contidas as condições de possibilidade para compreensão daquilo que está para ser dito, mas que só pode ser mostrado. Paradoxalmente, para Wittgenstein mais uma vez o silêncio representa a atitude, porque para ele o significado da vida não poderia ser suficiente ou logicamente explicado através de sistemas lógicos. Segundo tese de Wittgenstein, há um limite para a linguagem, ou seja, nossa linguagem é insuficiente e, portanto, seria necessário apelar a instâncias, como o ético, o estético e o místico. O filósofo seria uma espécie de zelador silencioso do limite do dizível, então o silêncio é como uma estratégia do calar ao essencialmente inefável. Essa análise permite concluir que esse duplo estatuto do silêncio é a condição a priori para estabelecer o sentido entre o dito e o não-dito. O interdito!
