Da Justiça Absoluta à Possibilidade de Justiça entre os Homens: Um Estudo sobre o Conceito de Justiça no Pensamento de Santo Agostinho
José Roberto Abreu de Mattos
- Autor
- José Roberto Abreu de Mattos
- Orientador(a)
- Marcelo Perine
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO — PUC/SP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2004
O trabalho tem por objetivo o estudo sobre o conceito de justiça no pensamento agostiniano. Por meio da leitura de certas obras de Santo Agostinho, e de alguns dos seus comentadores, busca-se delinear o tema em pauta..Nesse sentido, outros conceitos apresentam-se como essenciais para a compreensão da idéia agostiniana de justiça, tais como: pecado, graça, amor, beatitude, ética..Por meio do conceito de pecado das origens, Santo Agostinho explicita uma condição humana real, sujeita aos vícios e às vicissitudes temporais. O retorno à condição primeira de felicidade vivida pelo homem, segundo ele, só é possível por intermédio da justiça. .Em seu estado edênico, o homem partilhava diretamente da justiça absoluta, isto é, divina e imutável, após a queda, a justiça humana passou a ser relativa, temporal e mutável. Sobre esse ponto, esclarece-se que, para Santo Agostinho, o pecado das origens motivou a mudança da condição humana: o homem passou a ter uma tendência ao pecado. A partir da tensão estabelecida entre as justiças divina e humana, questiona-se a possibilidade do homem ser justo temporalmente, ainda que a sua existência encontre-se marcada pelo signo do pecado original..No 1º Capítulo, reflete-se sobre a relatividade, temporalidade e mutabilidade da justiça humana. Partindo da concepção agostiniana do Bem, da criação do homem por Deus, chega-se ao entendimento de Santo Agostinho sobre o mal e o pecado. O pecado é concebido por ele como mal voluntário, sendo ressaltada a existência do livre-arbítrio da vontade humana. Trata-se de um tema presente na Polêmica Pelagiana, que é explicitada sinteticamente. Busca-se a compreensão da ordem do amor e da convergência entre fé e razão no pensamento agostiniano, encaminhando-se para a reflexão sobre a graça, conceito que é desenvolvido no capítulo subseqüente..A graça é apresentada como dom divino derramado gratuitamente no coração humano, segundo Santo Agostinho. Essa definição remete novamente à Polêmica Pelagiana, em que são explicitadas as noções agostinianas da natureza e liberdade humanas: a graça auxilia o homem para que a sua vontade possa tender para o Bem, configurando assim a liberdade cristã..No 3º Capítulo, expõe-se sucintamente a teoria agostiniana do conhecimento a partir da possibilidade da mente humana conhecer as verdades eternas, uma vez que, para Santo Agostinho, a idéia do que é ser justo pertence à categoria das razões e verdades eternas. Retoma-se o conceito da ordem do amor, definindo e explicitando a forma como o amor cristão está presente na elaboração do conceito agostiniano de justiça..No 4º Capítulo, discorre-se sobre a contribuição agostiniana para a ética cristã, por meio do conceito de beatitude..Finalmente, são apresentadas algumas implicações trazidas pelo conceito agostiniano da graça, para os campos da ética e do conhecimento, concluindo-se, esquematicamente, como se constitui a idéia de justiça no pensamento de Santo Agostinho.
