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Dissertações

Da natureza ao homem: Feuerbach e a questão da sensibilidade

RAFAEL WERNER LOPES

Dissertação
Autor
RAFAEL WERNER LOPES
Orientador(a)
Draiton Gonzaga de Souza
Universidade
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2004
2004RAFAEL WERNER LOPES. Da natureza ao homem: Feuerbach e a questão da sensibilidade. 2004. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL, RS. Orientador(a): Draiton Gonzaga de Souza.2

Esta dissertação apresenta a relação necessária entre o homem e a natureza a partir do exposto por Feuerbach em Das Wesen der Religion e seus escritos subseqüentes, característicos de seu período de maturidade. O pensamento feuerbachiano reabilita a sensibilidade e rompe definitivamente com a doutrina teológica e a filosofia especulativa. A ruptura gera uma filosofia de caráter antropológico, não expressando mais a relação do homem com seres divinos, mas a relação do homem com a natureza, que, em última análise, define-se como a busca de afirmação do próprio homem no elemento da existência concreta. Mas a proposta da nova filosofia, ao fundar a necessidade da natureza diversa e real, não se restringe a um simples naturalismo que exalta a natureza como suprema, mas, pelo contrário, elabora as bases de uma postura antropocêntrica que afirma o necessário reconhecimento da importância e da primazia do elemento natural para o desenvolvimento humano. . O movimento de resgate do ser humano, obtido através da reabilitação da natureza, define quatro momentos básicos do pensamento feuerbachiano. O primeiro, expressa o reconhecimento da existência de um outro ser, distinto do homem, como a base fundamental em que a existência se dá. Esse ser, distinto e independente do homem é, simplesmente, a natureza. . O segundo momento é definido pelo resgate do mundo natural através dos princípios da Naturreligion. Feuerbach, inicialmente, defende a posição da Naturreligion enquanto essa representa o verdadeiro reconhecimento da importância da natureza através do Abhängigkeitsgefühl. Mas tal postura deve ser superada, como na tradição teológica, alvo da crítica, por ainda não estar livre de superstições, que arrancam o homem de sua íntima relação com o mundo natural. . O terceiro momento consiste na elaboração de uma nova posicionalidade assumida pelo homem em seu mundo. O indivíduo não será sacrificado em nome de outrem, i. é, em nome de Deus ou da natureza, mas passará para o centro do cosmos. O filósofo assume, como ponto de partida de sua filosofia, a existência. A concreticidade da existência será a base, concebida, necessariamente, como primeira no tempo, para o surgimento do homem afirmado como ser supremo. Uma filosofia antropológica emerge dos interstícios dos modelos teológico e filosófico-especulativo. Feuerbach busca uma noção de homem integral, i. é, um homem que reconhece a natureza como condição de possibilidade para sua existência e, juntamente, cria a possibilidade de uma nova universalidade, não mais estática e subjetiva, mas dinâmica e intimamente relacionada com a multiplicidade do mundo concreto. . O quarto momento é definido como a busca pela individualidade do homem, efetivando o que antes, em Das Wesen des Christentums, não havia sido alcançado. Ao fundamentar o indivíduo concreto, Feuerbach elege, como princípio necessário para a existência humana, o egoísmo. Toda ação humana será regida pela auto-referencialidade. Mesmo com a reabilitação do mundo natural, o que está sendo buscado no pensamento feuerbachiano é simplesmente o homem. Nas relações interpessoais entre os múltiplos indivíduos não reinará uma noção de bem universal, submetendo todos os membros da comunidade a uma espécie de agir altruísta, mas, pelo contrário, as relações serão estabelecidas para a busca de satisfação e benefícios de cada indivíduo.