Da verdade como abertura existencial ao acontecimento poético da verdade
Ione Manzali de Sá
- Autor
- Ione Manzali de Sá
- Orientador(a)
- Paulo Cesar Duque Estrada
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO — PUC-RIO
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2010
Na conferência A origem da obra de Arte, de 1936, Martin Heidegger leva a discussão sobre a arte, até então restrita ao domínio da estética, para o campo ontológico, na sua definição da obra de arte como o """"pôr-se-em-obra da verdade"""". .Nesta dissertação intento esclarecer esta peculiar expressão, tomando como fio condutor as mudanças do sentido de verdade que acompanharam o motivo central na filosofia de Heidegger, a questão do ser, desde Ser e Tempo até o seu encontro com a arte nesta conferência. Heidegger, em seu empenho contra a entranhada tradição da verdade eterna comandada pela lógica da adequação, parte da noção de verdade histórica por ele definida nos anos 1930, para chegar ao mais original sentido da verdade de ocultamento e revelação da alétheia, que, ao se essencializar, “acontece” poéticamente como obra de arte. A obra de arte é então entendida como aquilo que instaura a verdade de um novo ser, ao abrir horizontes históricos-destinais. Comentarei ainda o contraste feito por Heidegger entre a abertura da obra de arte e a essencialização da técnica moderna no seu desabrigar dos entes como recurso disponível de uma vigência estabilizada.
