Voltar para Dissertações
Dissertações

DAVIDSON E O CETICISMO EPISTEMOLÓGICO: O ARGUMENTO DO """"INTÉRPRETE ONISCIENTE""""

Alessandro Luppi

Dissertação
Autor
Alessandro Luppi
Orientador(a)
Waldomiro José da Silva Filho
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA — UFBA
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2010
2010Alessandro Luppi. DAVIDSON E O CETICISMO EPISTEMOLÓGICO: O ARGUMENTO DO """"INTÉRPRETE ONISCIENTE"""". 2010. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA, BA. Orientador(a): Waldomiro José da Silva Filho.3

O objetivo desta dissertação é compreender a crítica de Donald Davidson ao ceticismo epistemológico e oferecer una reconstrução do argumento davidsoniano do intérprete onisciente, mostrando algumas de suas limitações. O ceticismo epistemológico, na sua versão global, afirma que é possível que todas as nossas crenças acerca do mundo externo à mente sejam falsas e não constituem conhecimento. Isto quer dizer que o conteúdo delas seria subjetivamente idêntico, mesmo se o mundo fosse completamente diferente de como acreditamos que ele é. Este é o desafio que Davidson tem em mente em seus ensaios epistemológicos. A sua resposta consiste em delinear uma epistemologia que reconheça um vínculo de profunda interdependência entre o conhecimento de nossos próprios pensamentos, o conhecimento do mundo externo e o conhecimento de outras mentes, recusando o tradicional primado epistêmico do sujeito, o qual é amparado no ponto de vista da """"primeira pessoa"""". A pesquisa começa analisando o que está na base desta proposta, a saber, uma perspectiva externalista sobre linguagem e pensamento, cujo ponto de vista metodológico básico é o de um intérprete que tente atribuir significado aos proferimentos de um falante de uma linguagem desconhecida. Sucessivamente, são examinados alguns importantes argumentos de Davidson contrários à imagem da mente como radicalmente separada do mundo e as consequências da adoção do ponto de vista do intérprete para a epistemologia. O êxito principal destas concepções estaria em mostrar que a coerência de um sistema de crenças é prova de sua veracidade, e que, por outro lado, é impossível conceber um sistema de crenças maciçamente erradas; enfim, disso, seguir-se-ia que o ceticismo sobre o mundo externo é falso. Para provar esta conclusão, o argumento de Davidson apela a um hipotético intérprete onisciente que, utilizando o mesmo método de um interprete falível, julgaria um falante qualquer amplamente consistente sobre como as coisas do mundo estão. Analisando este argumento, intenta-se mostrar qual é a sua ligação com a visão davidsoniana da linguagem e da mente, bem como defendê-lo de algumas críticas contrárias. Contudo, é necessário concluir que o argumento não é completamente defensável, nem logra o resultado desejado. Ilustra-se, por fim, que ele não captura um importante aspecto do externalismo triangular davidsoniano e que Davidson explorou melhor este ponto após ter renunciado ao argumento. Nesse sentido, pode-se concluir que, se a sugestão davidsoniana de assumir a perspectiva da terceira pessoa está correta, aparece no horizonte um terreno em que a dúvida sobre o mundo externo não faz sentido, e o cético não pode formular seu desafio epistemológico, o que torna desnecessário o argumento do intérprete onisciente.