Deleuze e a reversão do platonismo: ressonâncias estéticas e políticas no conceito de simulacro
Leonardo Oliveira Moreira
- Autor
- Leonardo Oliveira Moreira
- Orientador(a)
- Peter Pál Pelbart
- Universidade
- UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ — UECE
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2011
Esta dissertação tem por objetivo apresentar estudo acerca do movimento da reversão do platonismo efetuada pelo filósofo francês Gilles Deleuze; mais especificamente sobre as ressonâncias estéticas e políticas do simulacro. Por um lado, buscaremos investigar o caráter das forças e vontades que substanciam a dialética platônica, para assim explicitarmos até onde há equiparação com as forças e vontades reativas, negativas. Isso nos possibilitará melhor compreender a motivação platônica, seu atrelamento a um aparelho reativo e as especificidades de sua ficção. Desse modo, articularemos os conceitos de força, vontade de potência e eterno retorno, no fito de garantir certa consistência na compreensão do plano conceitual de tal reversão. Por outro, buscaremos investigar os conceitos subvertidos por Deleuze, a saber, a dialética, o método da divisão, a Ideia e o não-ser, para explicitarmos a complexidade conceitual dessa reversão. Por fim, compreendendo o simulacro como conceito-chave à reversão deleuzeana do platonismo, aventamos a hipótese de que tal conceito implica ressonâncias estéticas e políticas. Sustentamos estético aqui no sentido de sistema intensivo que apreende o Ser do sensível, garantindo um novo empreendimento da experiência e dos possíveis e, conseguintemente, fundindo as duas formas cindidas da Estética. No concernente ao político, o simulacro é o conceito combatente dos modelos, determinismos e aplicações derivadas das teses platônicas da Ideia e que vinculam o bem da cidade com o bem dos cidadãos em uma dialética dos rivais. Como também é o simulacro que empreende um modelo Outro para o político, modelo descentrado, anárquico, subversivo e, com efeito, revolucionário. Destarte, sustentamos o caráter estético do simulacro como concomitantemente político, pois afirma e empreende a existência estética e prescreve os direitos dos simulacros no campo do político, nas superfícies, no fátuo das cidades.
