- Autor
- EDUARDO COUTINHO LOURENCO DE LIMA
- Orientador(a)
- ERNESTO PERINI FRIZZERA DA MOTA SANTOS
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS — UFMG
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2009
O descompasso entre linguagem e pensamento reconhece a possibilidade de falantes se iludirem acerca dos pensamentos que apreendem ao pretender compreender proferimentos de certas frases. A partir do exame da independência de objeto de proposições quantificadas, é mostrado por que essa possibilidade é contornada pela semântica das descrições definidas, tal como elucidada pela teoria das descrições de Russell. As condições epistemológicas da compreensão de descrições não exigem que se conheça o objeto descrito e nem mesmo que exista um tal objeto para que seja possível a apreensão de proposições quantificadas. Em contraposição, a semântica das expressões referenciais, que considera que objetos figuram nas condições de verdade de frases em que ocorrem expressões referenciais, implica a dependência de objeto de pensamentos singulares. Não há qualquer pensamento para ser expresso ou considerado pelo proferimento de frases em que figuram expressões referencias que a nada refiram. A pretensão de compreender proferimentos de frases cuja compreensão é impossível se revela, então, como uma ilusão de compreender essa frase. Contudo, a formulação de condições necessárias para a compreensão de expressões referenciais não é capaz de justificar a impossibilidade de compreender frases que não expressam proposições, uma vez que a formulação das condições epistêmicas necessárias da compreensão da referência é ela mesma dependente de objeto. Reconhecido o falibilismo inerente à compreensão linguística e os limites de uma teoria da compreensão, a dissertação termina por questionar a estratégia mesma de derivar apenas de padrões inferenciais as condições necessárias da compreensão e da comunicação. Ao propor um relaxamento dessas condições, sugere que se reconheça a deferência linguística como um modo autêntico de compreensão.
