- Autor
- Alexandre Jordão Baptista
- Orientador(a)
- Maura Iglésias
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO — PUC-RIO
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2002
A filosofia pretende ter um acesso privilegiado à """"verdade"""". Privilégio garantido pelo poder da dialética como é sublinhado naquela que é uma das mais famosas e comentadas passgens de Platão: a analogia da linha dividida, que aparece no final de A República VI, onde Platão traça uma imagem do que ele considera a totalidade do real, distinguindo, em subsequentes divisões, os entes quanto à sua natureza e o seu modo de apreensão cognitiva. Essa passagem, tem sido, desde sempre, alvo de constantes controvérsias quanto a real inspiração de Platão no que se refere ao alcance e à natureza do método dialético aí apresnetado. Historicamente, destacam-se duas linhas de interpretação: a """"mística"""" e a """"geométrica"""". Em relação à interpretação mística, seu principal apologista em tempos recentes é A J. Festugière (Contemplation et Vie Contemplative selon Platon), que identifica a dialética a uma atividade, ou processo, de cunho """"místico"""", cujo desenlace culminaria numa experiência para além de """"toda ordem normal de conhecimento"""", sendo, por isso, chamada """"interpretação mística"""". A interpretação geométrica, por sua vez, representada aqui pelo trabalho de Yvon Larance (Platon et la Géometrie: la méthode dialectique en République 509d-511e), defende que, ao contrário, todos os procedimentos envolvidos na descrição de Platão permanecem estritamente limitados à esfera da racionalidade e que, portanto, a essência do platonismo, na medida em que a dialética constitui o elemento central, não é de ordem """"mística"""", mas de ordem racional. Nossa proposta, portanto, é passar em revista alguns dos pontos principais de cada uma dessas interpretações, no sentido de tentar esclarecer o que cada uma delas traz de legitimo ou, ao contrário, de excessivo.
