Dissolução e Aleatoriedade: a Estética do Romance na Obra “Almoço Nu” de William S. Burroughs
LUIS FERNANDO CATELAN ENCINAS
- Autor
- LUIS FERNANDO CATELAN ENCINAS
- Orientador(a)
- ARLENICE ALMEIDA DA SILVA
- Universidade
- UNIVERSIDADE EST.PAULISTA JÚLIO DE MESQUITA FILHO/MARILIA — UNESP/MAR
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2011
Como consequência da experiência histórica, as formas de dominação ganharam cada vez mais espaço na produção literária, até se constituírem num dos principais temas do romance ao longo de todo o século XX. Vários escritores configuraram esteticamente o problema do poder, desenvolvendo uma narrativa cujo tema central é a dominação; dominação essa perpetrada pelos totalitarismos de direita e esquerda. Mas é na obra do escritor norte-americano William S. Burroughs (1914-1997) que os mecanismos de dominação ganharão um novo estatuto, em especial na obra Almoço Nu (1959), na qual aparecem configurados os novos modos de dominação que emergiram a partir da Segunda Grande Guerra: monopólios, burocracias, estruturas de controle, etc. Outras características formais, não menos relevantes, acompanham a emergência das novas temáticas, principalmente os signos de dissolução e aleatoriedade que percorrem o livro de Burroughs, abolindo em definitivo qualquer exigência de unidade configuradora ao instaurar uma nova combinação entre forma de expressão e forma de conteúdo. De qualquer modo, um estudo do romance de Burroughs que leve em consideração todas essas particularidades exige um aparato conceitual apropriado. Neste sentido, a obra de Gilles Deleuze (1925-1995) fornece alguns elementos teóricos para a análise de Almoço Nu, a exemplo da noção de sociedades de controle, retirada da obra de Burroughs. Assim, o presente estudo busca apreender de que forma o romance Almoço Nu nos aponta as transformações temáticas e composicionais no romance da segunda metade do século XX correspondentes à experiência histórica na qual o problema da dominação veio a ocupar lugar de destaque nas produções literárias.
