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DISSONÂNCIA MUSICAL EM NIETZSCHE E ADORNO

MARCELO TANNUS GOULART

Dissertação
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Autor
MARCELO TANNUS GOULART
Orientador(a)
THIAGO SUMAN SANTORO
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS — UFG
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2019
2019MARCELO TANNUS GOULART. DISSONÂNCIA MUSICAL EM NIETZSCHE E ADORNO. 2019. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS, GO. Orientador(a): THIAGO SUMAN SANTORO.1

PRETENDE-SE INVESTIGAR O PAPEL DA DISSONÂNCIA MUSICAL NAS FILOSOFIAS DE NIETZSCHE E ADORNO, COM ATENÇÃO ESPECIAL ÀS OBRAS O NASCIMENTO DA TRAGÉDIA E FILOSOFIA DA NOVA MÚSICA. AMBOS OS FILÓSOFOS PRESENCIARAM UM PERÍODO DE GRANDE RADICALIZAÇÃO NO USO DAS DISSONÂNCIAS NA MÚSICA, E AMBOS AS VALORIZARAM, PARA ALÉM DE SEU ASPECTO SONORO, COMO FIGURAS PRIVILEGIADAS DE INTERPRETAÇÃO DO MUNDO. APESAR DA EVIDENTE DISTÂNCIA DAS CONCEPÇÕES DO JOVEM NIETZSCHE PARA AS DE ADORNO – GROSSO MODO, DE UMA PERSPECTIVA TRÁGICO-EXISTENCIAL EM NIETZSCHE PARA UM VIÉS MAIS PSICOSSOCIAL EM ADORNO -, É POSSÍVEL DIZER QUE AMBOS, EM SUAS FILOSOFIAS, ATRIBUÍRAM ÀS DISSONÂNCIAS O PAPEL DE PORTADORAS DO QUE HÁ DE MAIS DESEJÁVEL PARA O HOMEM. PARA O NIETZSCHE DE O NASCIMENTO DA TRAGÉDIA, A DISSONÂNCIA, TANTO NA GRÉCIA TRÁGICA COMO NA ALEMANHA DE WAGNER, POSSIBILITARIA AO OUVINTE PRESSENTIR O “PRAZER SUPERIOR” DE SUA FUSÃO COM A TOTALIDADE DA NATUREZA E, AO MESMO TEMPO, AFIRMAR O CARÁTER ILUSÓRIO DA PERMANÊNCIA DOS INDIVÍDUOS. COM ISSO, AS DISSONÂNCIAS CONDENSARIAM A “MONSTRUOSA ALIANÇA” ENTRE AS EXPERIÊNCIAS DIONISÍACA E APOLÍNEA, UMA CO-PRESENÇA APONTADA COMO O MAIS NOTÁVEL ENTRE OS EFEITOS DA TRAGÉDIA, E QUE TERIA PERMITIDO AOS ANTIGOS GREGOS ELEVAREM-SE À “ESPLÊNDIDA MESCLA” DA PERFEIÇÃO. NÃO POR ACASO, A OBRA QUE NIETZSCHE ELEGE COMO MODELO PARA A RESSURREIÇÃO DAS TRAGÉDIAS NA MODERNIDADE, POR NOVAMENTE POSSIBILITAR O DUPLO ESTÍMULO DO “EFEITO TRÁGICO”, É TRISTÃO E ISOLDA, DE WAGNER, CUJAS DISSONÂNCIAS IRRESOLVIDAS ABRIRAM AS PORTAS PARA A ATONALIDADE. E AQUI NOS ENCONTRAMOS COM THEODOR ADORNO. EM SUA FILOSOFIA DA NOVA MÚSICA, ADORNO CONFERE À DISSONÂNCIA UM SIGNIFICADO EXPRESSAMENTE UTÓPICO, AINDA QUE DE FORMA NEGATIVA: COM A PASSAGEM DA ATONALIDADE LIVRE AO DODECAFONISMO, O PAPEL EXPRESSIVO ANTES RESERVADO ÀS DISSONÂNCIAS CONVERTE-SE EM PRINCÍPIO DE CONSTRUÇÃO, MAS NESSA PASSAGEM, DIZ O FILÓSOFO, “SUA NEGATIVIDADE SE MANTÉM FIEL À UTOPIA E ENCERRA EM SI A CONSONÂNCIA TÁCITA”. EMBORA A PREDOMINÂNCIA DE TAIS SONORIDADES NA CHAMADA NOVA MÚSICA SE OPUSESSE AO CARÁTER IDEOLÓGICO, FALSO, DA APARÊNCIA HARMONIOSA DA SOCIEDADE TOTAL, ADORNO PERCEBE QUE A CRESCENTE RIGIDEZ DA TÉCNICA DODECAFÔNICA LEVAVA A UMA GRADATIVA NEUTRALIZAÇÃO DAQUELA CAPACIDADE LIBERTADORA, PRÓPRIA ÀS DISSONÂNCIAS, DE ACOLHER OS SONS INDIVIDUAIS E MANTÊ-LOS COMO DIFERENCIADOS. ASSIM, POR NÃO ESTAR IMUNE ÀS MAIS REGRESSIVAS TENDÊNCIAS DA SOCIEDADE, PRESENTES POR EXEMPLO NA MÚSICA DE STRAVINSKY, MESMO A MÚSICA MAIS CONSCIENTE, REPRESENTADA PELA ESCOLA DE SCHOENBERG, PODERIA PETRIFICAR-SE E NAUFRAGAR. PARA FAZER UMA BREVE COMPARAÇÃO ENTRE AS CONCEPÇÕES DOS DOIS FILÓSOFOS, ARRISCARÍAMOS SUGERIR QUE, SE NA INTERPRETAÇÃO DO JOVEM NIETZSCHE A DISSONÂNCIA COMPORTA UMA IMPROVÁVEL CONJUNÇÃO ENTRE ILUSÃO E VERDADE, NAQUELA PROPOSTA POR ADORNO CONVERGEM, POR SUA VEZ, O REAL E O POSSÍVEL; SE EM NIETZSCHE TAIS DESAGREGAÇÕES SONORAS FAZEM O OUVINTE TAMBÉM “PRESSENTIR” O PRAZER DE REINTEGRAR-SE À NATUREZA, EM ADORNO ELAS MANTÉM VIVA A PROMESSA DE FELICIDADE, MAS TAMBÉM A CONSCIÊNCIA DOLOROSA DE QUE TAL PROMESSA É QUEBRADA.