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Dissertações

Do agir em Nietzsche: a partir de um trecho da Primeira Dissertação da """"Genealogia da Moral""""

LUCIANO GOMES BRAZIL

Dissertação
Autor
LUCIANO GOMES BRAZIL
Orientador(a)
GILVAN LUIZ FOGEL
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO — UFRJ
Programa
FILOSOFIA
Grau
MESTRADO
Ano
2012
2012LUCIANO GOMES BRAZIL. Do agir em Nietzsche: a partir de um trecho da Primeira Dissertação da """"Genealogia da Moral"""". 2012. Dissertação (MESTRADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO, RJ. Orientador(a): GILVAN LUIZ FOGEL.2

Procuramos compreender o sentido da máxima """"o agir é tudo"""" no pensamento de Nietzsche. O resultado imediato é flagrado neste caráter ativo que o filósofo buscou sempre imprimir em todos os seus livros, tornando-se um elo de toda a sua obra, que é reconhecidamente heterogênea. Por outro lado, com a compreensão do agir, Nietzsche descaracterizou o pensamento causal, a noção cartesiana do sujeito e a pretensão gnosiológica de Kant. Ao dizer que """"o agir é tudo"""", fez cair por terra dicotomias como a da sensibilidade/entendimento, repensou a estrutura predicativa do """"eu penso"""", e também a origem adiada da causalidade, mas sem com isso perder de vista o horizonte temático de onde surgiram suas questões: a modernidade. Diante do problema de ser moderno, apresenta-se a crítica como o ethos adequado à época. Por fim, à guisa de conclusão, a totalidade com que se traduz o agir é colocada como um """"todo""""; na língua de Nietzsche isto quer dizer o seguinte: não distinguir a força de sua possibilidade, ou seja, ela é toda em seu agir. Aponta-se para a intensidade medida através de qualidades e não meramente através de quantidades. Paralelamente a estas discussões, a dissertação problematiza a periodização da obra de Nietzsche, discutindo, no interior de seu pensamento, as diversas direções a que suas fases apontaram. Pudemos testemunhar que a obra foi sofrendo uma constante revisão empreendida pelo próprio autor, recolocando e refazendo as suas críticas. É lícito afirmar, ao fim e ao cabo de nossas investigações, que Nietzsche constatou haver no pensamento ocidental (no que ele chama constantemente de metafísica) a busca pelos lugares passivos, onde o que se entende por homem, sujeito, indivíduo, não possui participação ativa (dir-se-ia prática, empírica, na língua de Nietzsche isto significa: criação), e que essa busca é uma tentativa de dar conta de toda transitoriedade, o """"pedacinho de terra a que se agarrar"""". Podemos dizer, também, que toda a obra de Nietzsche - com sua heterogeneidade - está marcada por este sentido ativo do pensamento.