“Do """"Lugar nenhum"""" ao mundo: pensar [,] política e ética nas reflexões de Hannah Arendt”.
Igor Vinicius Basilio Nunes
- Autor
- Igor Vinicius Basilio Nunes
- Orientador(a)
- Adriano Correia Silva
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS — UFG
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2012
Este trabalho dissertativo tem a intenção de reestruturar a noção de atividade do pensamento, desenvolvida no quadro conceitual de Hannah Arendt, em contato direto com o que a autora entende a respeito do domínio dos assuntos políticos e morais que se desenrolam no mundo humano. No percurso sugerido por este texto, primeiramente, leva-se em consideração as articulações advindas das distintas posições ocupadas pelos homens, ora como atores e ora como espectadores, em um espaço público de aparências. Ainda nesse contexto, analisa-se as interações possíveis entre o engajamento ativo no mundo e o retraimento na vida espiritual (mind), destacando-se disso a repercussão histórica e teórica tanto para a política quanto para a filosofia. Em um segundo momento, interessa demonstrar como a constatação da ruptura do fio da tradição do pensamento político ocidental – que, para a autora, teve sua gênese no fatídico julgamento de Sócrates e nos consequentes ensinamentos de Platão e Aristóteles – proporcionou a Arendt uma nova forma de reflexão a respeito dos assuntos humanos e, não obstante, a construção de um novo significado fenomenológico para as atividades do espírito; aqui, “o pensar” em especial. Por fim, a tentativa é revelar que o estudo arendtiano sobre as catástrofes políticas e morais do século XX, representadas em grande medida pela dominação totalitária, empenha-se na tarefa de compreensão dos nossos tempos sem recorrência a quaisquer tipos de fundamentos últimos ou tradicionais e, desse modo, desenvolve-se como um indício de comprometimento do pensamento, da própria autora, com o mundo. Nesse ínterim, ressalta-se o alerta de Arendt à potencialidade da simples reflexão, seja ela teórica ou não, fazer-se relevante para as discussões e as realizações que pertencem aos contextos da política e da ética, principalmente em tempos denominados por ela como “sombrios”.
