Dominação sem sujeito e imantação de poder - uma crítica ao presente em Foucault
Francisco Víctor Macêdo Pereira
- Autor
- Francisco Víctor Macêdo Pereira
- Orientador(a)
- Emanuel Angelo da Rocha Fragoso
- Universidade
- UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ — UECE
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- MESTRADO
- Ano
- 2004
RESUMO.A consolidação irrecusável de um regime de expansão-consumo-tolerância retifica toda manifestação simbólica da contemporaneidade em uma vida comum. Os sintomas da hodierna civilização do consumo no corpo das subjetividades são a composição da ordem das relações individuais e coletivas sob o signo do desenvolvimento, das garantias, das liberdades e da erotomania generalizada; os quais puderam se imantar, sequazes, em todas os níveis de relações e culturas da humanidade, a ponto de determinarem as complexas estruturas contemporâneas de poder e dominação, sobre as quais os mesmos se imprimiram. Em meio a nova situação de transformação do capitalismo tecnológico e da superestrutura ideológica da informação surge a necessidade de outras estratégias e definição frente os dispositivos heterogêneos de poder e seus efeitos; não mais sob as velhas perspectivas da resistência, da oposição, da teorização, da problematização ou da revolução, que demonstraram, uma a uma, no momento de suas especificidades, tratarem-se, ao invés da descoberta da essência da emancipação humana, de uma radicalização de dominação nas formas da liberdade, da livre expressão e da aquisição de direitos e garantias - haja vista suas condições muito mais conceituais do que práticas (ao contrário do que tenham sugerido seus discursos e formações bem anteriores às compleições do presente, ao arrepio do que comumente se possa julgar). Destarte, nem o controle, nem a destruição de aparelhos como o Estado ou a mídia, por exemplo, são suficientes para fazer desaparecer os efeitos de miséria imantados pela rede de poderes estruturada nas sociedades. Em nossa tentativa de análise frente à novíssima realidade da tecnologia, da informação e do consumo evocaremos a Foucault, que articula os saberes e sua positividade com o extra-discursivo das instituições da vida moderna, compondo o que ele denominou de ontologia do presente. Nisto não pretendemos relacionar as formações dos dispositivos de poder - e de seus discursos e efeitos vigentes - às práticas sociais que comportam e executam. Anelamos, antes, com o genealogista do presente, a possibilidade de um estudo histórico da composição do homem enquanto sujeito de representação e identidade ante o mundo que hoje constrói, e de crítica à idéia do progresso que ele porta consigo.
